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sábado, 28 de março de 2015

Pé no freio

A atual crise que abateu as finanças do Estado por conta da cheia histórica do rio Acre, que obrigou o governo a voltar seus investimentos para os auxílios de defesa civil e a fase de reconstrução das cidades, tem levado a gestão petista de Tião Viana a reduzir o ritmo acelerado de nomeações dos cargos comissionados (CECs) que vinha mantendo até fevereiro, reduzido e acelerado um pouco em março, mas que está em banho-maria neste momento.

Outro fator que levou o Palácio Rio Branco a pisar no freio são as dificuldades da economia brasileira e do próprio governo federal em fazer aprovar seus pacotes de ajuste fiscal num Congresso rebelado. Dependente das transferências da União, o Acre observa o comportamento da arrecadação federal, principal fator para aumento ou queda nos repasses para Estados e municípios.

Até o momento o repasse do Fundo de Participação dos Estados (FPE) não tem sentido o efeito da crise. Segundo dados do Tesouro, ele cresceu 2,1% em fevereiro, quando comparado com janeiro. Para março ainda não se tem análises, mas o governo Dilma pena para aumentar sua arrecadação com uma bancada arredia na Câmara e Senado.

Outro fator que leva o governo Tião Viana à prudência no aumento de gasto com pessoal é o cenário de instabilidade na arrecadação de sua receita própria. Com inflação em alta e perda do poder de compra, os consumidores estão mais cautelosos na hora de gastar. O resultado é menos recolhimento do ICMS, imposto que incide diretamente sobre o consumo.

Até a primeira metade de março o governo vinha realizando uma quantidade considerável de nomeações de CECs. Mas de uma semana para cá houve redução sensível. E este freio de mão puxada não tem agradado os aliados que trabalharam em busca da reeleição do governador, que agora cobram a fatura.

Aliado a isso, ainda veio o “pacote de maldades” do prefeito Marcus Alexandre (PT), que prevê demissões de até 10% dos cargos de livre nomeação na estrutura da prefeitura. O governo tem pedido “paciência” aos aliados da Frente Popular, prometido que as “nuvens negras” sobre as finanças do Estado são passageiras.

sexta-feira, 27 de março de 2015

Pacote de maldades (2)

O pacote de ajuste fiscal anunciado pela prefeitura de Rio Branco na última terça-feira (24) causou terremoto na escala máxima entre as lideranças da Frente Popular do Acre (FPA). O principal temor dos aliados do grupo político que comanda o Estado há quase duas décadas é com relação às demissões de cargos comissionados, e a redução no número de servidores com funções gratificadas (FG).

Conforme decreto do prefeito Marcus Alexandre, a meta é alcançar uma redução geral de pelo menos 10% nas despesas de custeio e pessoal até o fim do ano, além de outras medidas, para se chegar a uma economia de R$ 5 milhões. Lideranças da Frente Popular querem saber quais os partidos serão mais penalizados na perda de cargos na estrutura da prefeitura. O ajuste fiscal do petista ganhou até a alcunha de “pacote de maldades” diante dos cortes significativos que acontecerão.

Membros da aliança querem saber até que ponto o partido do prefeito, o PT, também será sacrificado nesta busca pelo equilíbrio das contas públicas. Segundo uma fonte dos chamados “partidos nanicos”, as legendas menores esperam que o custo destas demissões não recaia somente sobre seus ombros.

“Queremos saber até que ponto o PT também estará disposto a cortar na própria carne. Eles [o PT] sempre tiveram os maiores e melhores espaços no governo e prefeitura, com as migalhas sobrando para as demais siglas”, diz um interlocutor. Já há algum tempo líderes da Frente Popular vem dando sinal de insatisfação com os petistas por  perda de espaços.

Eles reclamam de demora para nomeações neste segundo mandato de Tião Viana, que também em breve pode anunciar seu “pacote de maldades” para enfrentar a atual crise pela qual o país passa. Os “rebeldes” da Frente Popular sinalizam até um eventual abandono da aliança caso não sejam atendidos, ameaçando trabalhar contra a campanha de Marcus Alexandre em 2016, quando ele tentará a reeleição.

quinta-feira, 26 de março de 2015

A crise apertou, companheiros

Enquanto desde o fim do ano passado o governo federal, Estados e prefeituras de todo o Brasil vinham adotando uma série de medidas de ajustes fiscais, com corte de gastos e otimização nas despesas, no Acre os governos petistas de Tião Viana e Marcus Alexandre pareciam viver no “país das maravilhas”. Por aqui não havia crise, esbanjava-se na distribuição e criação de cargos políticos, abria-se mão de impostos. Enfim, isolados em nossa ilha amazônica, não havia motivos para alarde.

Infelizmente foi preciso uma catástrofe natural para que nossas autoridades percebessem que o “buraco é mais embaixo”. Somente uma cheia das proporções da passada, com o rio Acre atingindo 18,40 metros na capital, e deixando cidades do interior totalmente submersas, para os iluminados do governo decidiram colocar em prática medidas drásticas de enfrentamento ao seu modo populista de governar, e cujo único objetivo é a manutenção do poder pelo poder.

O “pacote de maldades” de Marcus Alexandre veio em boa hora, e era mais do que necessário. Só não é possível entender por qual motivo ele abriu mão de quase R$ 9 milhões das empresas de ônibus, quando no dia seguinte publica seu “pacotão”. É provável que as metas estabelecidas até o fim do ano já foram trabalhadas levando em conta esta queda de receita.

Abrir mão de impostos neste momento de crise é algo que reza contra toda e qualquer cartilha do mundo dos ajustes fiscais. Mas como o Acre é o Acre, esperamos para ver. O fato é que a crise apertou tanto que não houve outra opção para Alexandre: vai ter que cortar e muito para sobrar algum dinheiro para investimentos em obras que possam lhe trazer algum retorno eleitoral.

O petista executa o pacote não por ser bonzinho (ou mau na visão de outros). A crise é uma realidade, e caminhar com a forma irresponsável como estava levaria a prefeitura à falência. Marcus Alexandre inchou a estrutura de pessoal da prefeitura quando criou mais quatro secretariais que, convenhamos, poderiam funcionar como estrutura de assessoria em seu gabinete. Tudo isso para abrigar os aliados cooptados na acirrada eleição de 2012.

A “herança bendita” nas contas do município deixada por Raimundo Angelim (PT), aos poucos vinham se transformando numa maldição, o que obriga o atual prefeito a correr atrás do prejuízo e buscar o reequilíbrio. O “pacote de maldades” veio tarde, mas melhor do que nunca. A enchente histórica não poderia ser a melhor justificativa para os aliados partirem para o sacrifício em nome da sustentação de poder.

É provável que o próximo “pacotão” seja o de Tião. O Estado também está em sérias dificuldades. A máquina está inchada e é preciso reduzir seu tamanho. Por isso o choro de aliados da Frente Popular por cargos. Assim como Dilma Rousseff, Viana pede “paciência” aos correligionários. Ou se corta na própria carne agora, ou toda a sociedade acreana irá para o sacrifício.

Se a estrutura de pessoal continuar do atual tamanho, com perdas de receitas em virtude da crise, em breve faltarão verbas para saúde, educação e segurança. Que Tião Viana também apele para os efeitos da enchente para pedir a compreensão dos aliados antes que a catástrofe acabe de arruinar os cofres públicos.

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Pacote de maldades

O prefeito Marcus Alexandre (PT) emitiu decreto com severas medidas de ajuste fiscal das contas municipais para enfrentar a crise financeira pela qual passa o município depois da cheia histórica do rio Acre. No “pacotão” de austeridade fiscal está previsto até a demissão de cargos comissionados como garantia de assegurar mais verbas para investimentos. A redução no número de funcionários com função gratificada (FG) também está na pauta.

A meta é da prefeitura é contabilizar uma economia de R$ 5 milhões até o fim do ano. Pelo decreto, todas as instituições do poder municipal deverão colocar em prática medidas que resultem em. no mínimo, uma redução global de 10% dos gastos de custeio e pessoal. As medidas vêm após a Câmara Municipal aprovar projeto do Executivo que isenta as empresas de ônibus de uma dívida de quase R$ 9 milhões de impostos.

Outra medida a ser adotada é o fim das linhas de celulares pagas pelo contribuinte. Somente permanecerão os telefones de serviços emergenciais da defesa civil e assistência social. As linhas fixas das repartições da prefeitura terão as ligações para celular e interurbano bloqueadas. Cada secretaria terá um teto a atingir para o custeio da energia.

A gestão petista ainda estabelece uma queda de 10% dos gastos com locação de veículos e de 15% com combustível. A prefeitura alega os impactos da grande cheia de fevereiro como a razão para adotar o “pacotão”. Segundo dados oficiais, 700 ruas tiveram parte de suas estruturas comprometida. Pelo menos 53 bairros necessitarão passar por algum tipo de intervenção.

terça-feira, 24 de março de 2015

Doações ocultas

Defensor de uma reforma política que acabe com a doação de empresas privadas para os caixas dos candidatos a cargos eletivos, o Partido dos Trabalhadores (PT) tem adotado a tática de “ocultar” a doação de empreiteiras e outras empresas do setor privado para a campanha de seus majoritários.

Levantamento feito pelo portal Contilnet Notícias mostra que, apesar de lideranças como o senador Jorge Viana (PT-AC) defender o fim deste tipo de doação, os petistas não tem aberto mão de financiar suas campanhas com a ajuda do empresariado. E entre estes doadores estão empresas investigadas pela Polícia Federal na operação Lava Jato.

A operação para passar a imagem de que seus candidatos a cargos do Executivo dispensam dinheiro de empresas privadas é ocultá-las da lista de doadoras diretas para o comitê financeiro do próprio candidato. Esta estratégia acontece desde a eleição de Marcus Alexandre (PT) para a prefeitura de Rio Branco.

Em 2010, quando da disputa de Tião Viana para o governo, todos os doadores privados foram expostos na prestação de contas do comitê financeiro do petista. Os dados mostravam entre os grandes doadores empresas (sobretudo do ramo da construção civil) que mantêm contratos milionários com a gestão petista e flagradas, três anos depois pela Polícia Federal, num esquema de formação de cartel para fraudes em licitações de obras, a operação G7.

Desde a campanha de 2012 o PT tem “escondido” seus principais parceiros nas finanças das campanhas. A estratégia é recorrer a um mecanismo legal: ao invés de repassar a doação diretamente para o comitê do candidato, ela segue direto para a conta do diretório estadual do partido, e este, por sua vez, repassa ao candidato ou a executa diretamente.

Os dados mostram que na eleição de 2014 o PT recebeu mais de R$ 4 milhões para a campanha de Tião Viana. Enquanto isso, o comitê do petista declarou somente R$ 194 mil. Entre os doadores do candidato nenhum que possa causar constrangimento diante da opinião pública. Mas quando se parte para a análise das contas da legenda a situação é oposta.

Entre estes doadores “ocultos” estão a OAS e a Queiroz Galvão, ambas investigadas no esquema do “petrolão”. A primeira repassou para o PT do Acre R$ 105 mil. Já a OAS doou R$ 270 mil. A gigante do setor de alimentos JBS repassou para o caixa da legenda R$ 580 mil. Todos estes doadores optaram por “camuflar” a colaboração para a campanha de Tião.

Até 2012 as doações aos partidos podiam ser ocultas, sem a necessidade de dizer quem era o doador. Esta brecha foi eliminada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A reportagem procurou a assessoria de imprensa do PT para comentar sobre esta estratégia de “ocultar” os doadores dos candidatos majoritários. Até o momento não houve retorno das solicitações.

sábado, 21 de março de 2015

Marcus Alexandre se lambuza com empresas de ônibus

É incrível percebemos o nível esdrúxulo na relação entre o prefeito Marcus Alexandre (PT) e as empresas do setor de transporte coletivo da capital.  Enquanto Rio Branco sofre com a destruição de sua já escassa infraestrutura por causa da enchente histórica do rio Acre, o petista se dá ao luxo de abrir mão de quase R$ 10 milhões de impostos de um segmento tradicionalmente conhecido por sua sonegação tributária. 



A prefeitura alega que este “perdão” é essencial para garantir a tarifa de R$ 1 dos estudantes. Deixar de arrecadar os impostos devidos pelas empresas possibilitaria à prefeitura “congelar” as tarifas do usuário comum. Com a economia brasileira levada ao fundo do poço graças ao governo Dilma Rousseff, os empresários de ônibus pressionam a prefeitura por reajustes diante dos prejuízos de alta de preço em combustível e peças. 

Com uma eleição municipal à porta e com seu partido estando aos frangalhos diante da opinião pública (ou da elite branca), Marcus Alexandre se vê obrigado a abrir mão do que não pode para salvar sua reeleição em 2016. Pelo menos até outubro do próximo ano, o usuário terá a garantia de que a passagem não terá aumento, mesmo que para isso falte dinheiro ao município para tampar o buraco onde passa o coletivo. 

Rio Branco precisa ser reconstruída no pós-enchente. As ruas que ficaram submersas estão destruídas. Numa prefeitura pobre e com pouca arrecadação, deixar de recolher tributos em nome de populismo eleitoral é uma afronta ao rio-branquense. Os milhões que se esvaziarão dos cofres públicos farão falta para recuperar a rua do Manoelzinho da Seis de Agosto. (O Manoelzinho não existe, favor não o procurem para persegui-lo). 

Em 2013, a prefeitura anistiou as empresas de ônibus com mais R$ 5 milhões alegando os mesmos motivos de agora: garantir a melhoria do transporte coletivo. Pura balela. De lá para cá nada mudou. A qualidade continua precária. Quem depende de ônibus sabe a penúria que é andar em coletivos lotados, velhos e após uma longa espera ao sol e à chuva. 

Isentar o transporte coletivo de impostos beneficia única exclusivamente as empresas e o próprio futuro eleitoral do prefeito. A conta ficará com o cidadão duas vezes: primeiro por continuar a usar um sistema coletivo precário e caro, e segundo por ver a capacidade de investimento da prefeitura cada vez menor. 

  

sexta-feira, 20 de março de 2015

Índios isolados, ameaçados e demarcados

Foi instalada na última terça-feira (17), na Câmara dos Deputados, a comissão que vai analisar a PEC 215, que transfere para o Congresso a prerrogativa de demarcação das terras indígenas. A PEC havia sido arquivada em dezembro.

Conforme apurado por Contilnet, o Acre tem ao menos cinco pedidos junto à Fundação Nacional do Índio (Funai) para demarcação de terras indígenas. Elas estão localizadas nos municípios de Tarauacá, Sena Madureira, Assis Brasil, Mãncio Lima e Jordão.

Uma destas novas limitações abrange área ocupada pelos chamados índios isolados, na fronteira do Brasil com o Peru. Sem contato com o homem branco, estes povos sofrem sérias ameaças por conta da invasão por madeireiros peruanos das terras onde vivem. Recentemente vídeo gravado no Acre mostrando o contato dos isolados com agentes da Funai rodou o mundo.

Outros povos que podem conquistar mais terras são os yaminawas, kaxinawá, Machineri e os nawas.  

Indígenas de diversas regiões do país acompanharam a votação da Mesa da Comissão Especial e protestaram com cartazes contra os deputados da Bancada Ruralista. O deputado Edmilson Rodrigues (PSol-PA) também integra a comissão e destacou que a proposta é inconstitucional e fere os direitos dos povos indígenas à terra.

“De antemão, eu expresso a minha opinião. Esta PEC tem vícios de origem. Ela é inconstitucional e uma agressão à ordem e ao Estado de Direito. Ela é um rasgar da Constituição e da resolução 169 da Organização Internacional do Trabalho, que é um órgão da ONU”.

Já o deputado Jerônimo Goergen (PP-RS) espera que a PEC seja votada este ano para, segundo ele, tornar as demarcações de terras indígenas mais justas. “A forma como hoje ocorrem as demarcações é altamente injusta, porque a Funai delibera como bem entende, faz tramitar um processo administrativo e simplesmente desapropria áreas para a demarcação. Portanto, passando esta competência para o Congresso, é muito mais representativo de uma verdadeira justiça”.

Com o pedido de reabertura da tramitação, a nova comissão que vai analisar a PEC vai ser presidida pelo deputado Nilson Leitão (PSDB-MT). O deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) foi eleito relator e Valdir Colatto (PMDB-SC) é o subrelator.


Com informação da Agência Brasil 

quinta-feira, 19 de março de 2015

Jungle View

Google Street View no coração da Amazônia 

A Crítica

Após três anos do lançamento do Amazon Street View, o Google, em parceria com a Fundação Amazonas Sustentável (FAS), acaba de lançar a segunda fase do projeto, que visa explorar a Amazônia, por meio de fotografias 360°.

Usuários da web de todo o mundo agora terão a oportunidade de explorar digitalmente regiões como as Reservas do Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Juma e Madeira, no Amazonas, localizadas a 228 km da capital Manaus, além dos diversos tipos de vegetação que formam a floresta Amazônica. Nessas regiões vivem aproximadamente seis mil famílias que participam do Programa Bolsa Floresta, da FAS, considerado um dos maiores programas de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) do mundo em extensão.

“As RDSs Madeira e do Juma são regiões extremamente importantes na Amazônia. Nelas, realizamos projetos de geração de renda e de educação adaptada à realidade local. Juntas, essas áreas somam quase 900 mil hectares de floresta em pé. Com o Amazon Street View o mundo poderá ver essa realidade e saber que pessoas vivem em uma região com tantos desafios e realidades totalmente diferentes. O resto do Brasil e do mundo precisam saber disso e valorizar a floresta e quem vive nela”, afirma Virgílio Viana, superintendente-geral da FAS.

Diferente da primeira fase, em que as imagens foram coletadas pelo Trike (o triciclo do Street View), nesta, a equipe da FAS usou nos registros o Trekker, evolução tecnológica do Google emprestada à organização por meio do programa Trekker Loan. Como resultado, em 18 dias de expedição foram visitadas 18 comunidades interligadas por longas trilhas e, pela primeira vez, o Trekker foi pendurado em uma tirolesa, proporcionando imagens das copas de árvores. Mais de 500 km de rios, lagos e córregos, 20 km de trilhas em meio à mata, duas escaladas de árvores, fazem parte das imagens.

“O Google Maps completa dez anos em 2015. Neste período tivemos muitos avanços tecnológicos, como o Street View e seus equipamentos. Cada avanço na tecnologia proporciona novas experiências aos usuários da web. Entre elas, a exploração a regiões que, provavelmente, a maioria das pessoas não poderá conhecer pessoalmente. Juntos, Google e FAS proporcionam conhecimento relevante para a conscientização da sociedade sobre a importância da Amazônia”, diz Karin Tuxen-Bettman, gerente do Google Earth Outreach.

Segundo o líder do projeto em campo, Gabriel Ribenboim, o avanço da tecnologia do Google facilitou as inovações da fase no Juma e Madeira. “Com a nova tecnologia, que permite maior mobilidade e autonomia, pudemos entrar mais profundamente em trilhas e igarapés nunca antes imageados, como a trilha de 11 km em floresta densa que conecta as comunidades do Rio Auruá com as do Rio Mariepaua. Em experiência inédita no mundo, com essa nova tecnologia da Google, conseguimos adaptar o equipamento em uma tirolesa fixada em uma das maiores castanheiras da região - com altura entorno de 60 metros -, remontando uma descida da copa das árvores até o solo - documentando todos os estratos florestais”, destaca.

terça-feira, 17 de março de 2015

Golpismo x golpismo

Se a multidão que invadiu as ruas das grandes cidades brasileiras foi uma surpresa, para a pequena Rio Branco dominada há mais de 20 anos pelo petismo (somados governo e prefeitura), a massa que tomou de conta do centro é de tirar ainda mais o sono dos “vermelhinhos”. Depois do governo mobilizar seu exército de cargos comissionados para recepcionar Dilma Rousseff (PT), uma turba de acreanos por livre e espontânea vontade foi pedir o impeachment da mesma presidente ovacionada por servidores públicos.

Confesso que eu nem acreditava no manifesto de domingo. Depois da chuva, então, que a descrença se consolidou. Mas ver milhares de pessoas protestando contra as gestões do PT lá e cá só mostra que a sociedade não está insatisfeita com estes governos. Como é comum ouvir pelas ruas do Acre, só há um grupo de pessoas satisfeito com a gestão Tião Viana: quem está se beneficiando e muito de sua estrutura.

O evento de quarta do pró-Dilma e de domingo “Fora, Dilma” ó comprova que a única coisa capaz de salvar o PT na máquina é o uso (abusivo) desta mesma máquina nas eleições. A estrutura pesada para beneficiar os candidatos do partido –seja quem for – é a garantia de se superar a grande onda de insatisfação popular, e manter os privilégios de uma pequena elite que há 100 anos usurpa o Acre.

Para piorar, Tião Viana fala que os pobres do país são resultado da dominação das elites –elite esta da qual ele faz parte. O governador teria dado sinais de prudência se tivesse optado pelo silêncio e não falar sobre “golpismo” e criticar a imprensa, que para ele só é conveniente quando mostra o que é de seu interesse.

Ao invés deste comentário infeliz, o governador deveria, assim como repete o discurso oficial de Dilma, ouvir a voz das ruas. O povo acreano está indignado com as denúncias de corrupção em seu governo e as sucessivas afrontas ao manter com dinheiro do contribuinte pessoas presas e investigadas pela Polícia Federal. E agora para piorar o Acre ganha as páginas policiais diariamente com seu governador sendo alvo do Ministério Público na operação Lava Jato.

Isso sim é o golpismo que a sociedade não suporta mais. O povo acordou, mas sua voz é sufocada nas urnas por um processo eleitoral desvirtuado e desigual. Que a manifestação de domingo em frente ao Palácio Rio Branco sirva de lição aos mandatários para entender que o povo não é mais massa de manobra –exceto os dependentes da canetada do governador. O acreano ainda é um povo corajoso –nosso passado e o presente mostram isso
.

domingo, 15 de março de 2015

Sou contra o impeachment de Dilma –neste momento


O Brasil está agitado diante de uma grande onda de insatisfação popular contra o governo da petista Dilma Rousseff. Pelas redes sociais as expressões contrárias sufocam os militantes do PT que tentam demarcar território. Não fossem os movimentos sociais ligados ao partido da presidente irem para as ruas na última sexta-feira (alguns até pagando os “simpatizantes”), a coisa estaria mais preta do que vermelha para o governo dito de esquerda.

Aqui no Acre, sem a força de um exército de cargos comissionados mobilizado pela estrutura das máquinas da prefeitura e do governo, Dilma jamais teria todo aquele coro e grito de guerra em sua defesa. O grande teste contra Dilma será neste domingo, quando está marcado evento nacional do “Fora, Dilma”

Aqui pelo Acre não coloco muita fé numa intensa participação popular no ato marcado em frente ao Palácio Rio Branco. Isso, mesmo com os acreanos derrotando de forma humilhante a presidente nas urnas nas eleições de 2014. O medo da perseguição do governo petista local afugenta as pessoas, que preferem mostrar sua indignação no silêncio da cabine eleitoral.

Mas o fato é que o pedido de impeachment da presidente neste momento é inoportuno, e sou contrário a ele. Este boom de insatisfação se dá pela atual crise econômica que provocou os sucessivos aumentos nos preços dos combustíveis, energia, impostos e mais impostos, além da roubalheira do “petrolão”.

Crises econômicas todos os países passam, mas nem por isso há razões para tirar do poder um mandatário democraticamente eleito. Fosse assim os americanos teriam derrubado George W Bush por conta da quebradeira de 2008, sendo o seu governo o único responsável por isso.

E aqui não há como negar que Dilma Rousseff é a única responsável pela atual crise na economia. Culpar o cenário internacional é lorota. Já tem algum tempo que a economia mundial vem se recuperando. Na América Latina somos os últimos em crescimento. O vizinho Peru puxa a locomotiva na América do Sul. A grande potência Estados Unidos comemoram a cada dia a saída do pior. (por isso o dólar a R$ 3)

A economia brasileira em crise é de pura responsabilidade da senhora Dilma Rousseff, que em seu primeiro mandato colocou em prática medidas populistas para garantir a reeleição ano passado. Segurar o preço dos combustíveis foi uma delas, com a fatura agora sendo repassada. O mesmo com as tarifas de energia. Colocar a culpa em fatores externos ou no clima não nos convence.

Toda esta lambança na economia se deu por opções políticas erradas do atual governo. Mas, agora, a presidente tenta corrigir sua lambança. Entregou a economia para um neoliberal exemplar (Joaquim Levy), que coloca em execução –a contragosto da chefe – medidas de austeridade que, como sempre, quem paga a conta somos nós. Dilma nos pediu “paciência” no último domingo. É justo? Não é.

Mas derrubar uma presidente a esta altura do campeonato seria ainda mais desastroso para o Brasil, fazendo-nos mergulhar numa abismo econômico e, sobretudo, político. Precisamos ver até quando a economia ficará neste sufoco e esperar que as medidas de Levy tragam resultados bons num curto espaço de tempo –antes que nosso dinheiro suma. O país teve a oportunidade de tirar Dilma do poder em outubro, mas a maioria optou por deixa-la lá. Agora é muita paciência...

A minha única defesa pelo impeachment de Dilma será se um dia for comprovado por investigações sérias da Polícia Federal e do Ministério Público que o dinheiro do “petrolão” foi usado para financiar suas campanhas de 2010 e 2014. Neste caso não há a mínima tolerância para sua continuidade no Planalto.

Até lá é deixar ela fazendo o duro dever de casa para recolocar nossa economia nos trilhos, e votar melhor nas próximas eleições, brasileiros e brasileiras.

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quinta-feira, 12 de março de 2015

Pedidos indecentes

MP: Youssef fez pedido a Costa para doar dinheiro a Tião Viana 

Em seu pedido de investigação enviado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) nesta quinta-feira (12), o Ministério Público informa, a partir do teor das delações premiadas, que o pedido de doação de recursos para o governador acreano Tião Viana (PT) foi feito por Alberto Youssef ao ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa. O conteúdo do pedido foi acessado pelo blog e mostra conteúdo completo das delações de Costa e do doleiro, que envolvem Viana.

De acordo com Costa, a doação para o petista foi de R$ 300 mil “como auxílio” para sua campanha ao Senado. À época, contudo, Viana era candidato ao governo do Estado. O registro do repasse, segundo ele, foi feito em sua “agenda de capa preta” com os dizeres “0,3 Tvian”. Os números representariam a quantia solicitada, e as letras a abreviatura de Tião Viana.

No depoimento, realizado em setembro do ano passado, Costa afirmou que o pedido para a campanha de Tião Viana foi feito por Alberto Youssef. Este, por sua vez, teria dito não se recordar se o pedido dos R$ 300 mil foi feito diretamente pelo então senador acreano ou por algum assessor, mas a solicitação foi repassada e autorizada por Costa. Conforme a delação, toda a operacionalização de captação e repasse do dinheiro foi executada por Yopussef.

Os operadores do esquema afirmaram de forma categórica que o “depósito” da quantia solicitada foi realizado. Tal dinheiro foi contabilizado como da conta do Partido Progressista, o PP. Segundo Costa, este “foi o único pedido da parte de Tião Viana.“

“Questionado do porque o PP ter permitido que tais recursos fosse (sic) debitado de sua conta, assevera que se não fosse o PP poderia correr o risco de destituição do declarante (Paulo Costa) e nomeação de outro diretor fiel ao Partido dos Trabalhadores”, diz trecho da delação. A indicação de Paulo Roberto Costa para a Diretoria de Abastecimento era da cota do PP.

As delações mostram contradições entre os depoimentos de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef. Em fevereiro deste ano o doleiro informou que “a anotação 0,3 Tvian provavelmente significa Tião Viana, mas não foi o declarante (Youssef) quem realizou tal operação”.

O Ministério Público afirma que as análises das prestações de contas de 2010 da campanha do governador do Acre apontam a “existência de crédito em favor do comitê financeiro estadual para governador provenientes do comitê do Diretório Estadual do PT/AC, que deverão ser analisadas no curso da investigação.” Este tipo de doação não específica precisamente quem são os doadores, por isso a necessidade de análise criteriosa.


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Investigação petrolão

Após a notícia de que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) acatou o pedido do Ministério Público para que o governador do Acre (veja matéria), Tião Viana (PT), seja investigado por suposto envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras, o petista emitiu nota chamando o ex-diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, de “bandido”. Ainda em nota, Viana autorizou a quebra de sigilo da investigação que envolva seu nome. “Para mim, quanto mais investigação, melhor”, disse.

Um dos operadores do “petrolão”, Costa afirmou em depoimento à polícia que Viana recebeu R$ 300 mil do esquema para sua campanha ao Palácio Rio Branco, em 2010.

“Estou muito longe dessa podridão, essa podridão está muito longe de mim”, afirmou o governador. Depois de já ter entrado com interpelação judicial por danos morais contra Costa em janeiro, quando da revelação de seu nome como um dos políticos beneficiados pelo petrolão, Viana informou que agora recorrerá a uma ação civil por danos morais contra o ex-diretor.

O governador acreano voltou a afirmar que toda a sua prestação de contas da campanha de 2010 foi analisada e aprovada pela Justiça Eleitoral. Ele também informou que entre os doadores de sua campanha está a IESA, uma das empresas investigadas na operação Lava Jato, mas que esta doação foi aprovada pelo Tribunal Regional Eleitoral.

“Cabe destacar que a mencionada empresa nunca teve qualquer relação comercial ou institucional com o Estado do Acre”. O pedido de investigação contra Tião Viana foi aceita na tarde desta quinta-feira (12) pelo ministro Luiz Felipe Salomão. O MP pediu o fim do sigilo no processo, o que deve ser acatado pelo relator. Além de Viana, outro governador investigado é o peemedebista Luiz Fernando Pezão, do Rio de Janeiro.