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sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Iguais, mas desiguais

“A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo” é considerada uma das obras clássicas do sociólogo alemão Max Weber. Nela, ele analisa as diferenças entre as sociedades protestantes e católicas do mundo ocidental. Em resumo, compara o desenvolvimento rápido do capitalismo nos países protestantes, que têm como base a valorização do trabalho e a não proibição do acúmulo de riquezas, com o catolicismo contra a acumulação, tida como pecado, logo levando o cidadão ao fogo do inferno.

No Acre estamos para escrever outra obra. Parafraseando Weber seria uma espécie de “A Ética Comunista e o espírito (indomável) do Capitalismo”. Desde o início da propaganda eleitoral na mídia o candidato ao Senado Gladson Cameli (PP) vem sendo crucificado e queimado na fogueira por ser de uma família notadamente rica no Acre e em parte do Norte.

Numa campanha apelativa e quase desesperadora, a Frente Popular ataca a honra dele e de seu pai, o empresário Eládio Cameli, dono de uma das maiores empreiteiras da região. Segundo os governistas, enquanto eles farão uma campanha limpa e de debates com o povo (o velho moralismo de sempre), o candidato da oposição iria comprar o mandato graças ao poderio econômico da família.

Mas o que pretendo aqui debater não é esta questão. Mas sim a demagogia com que a carcomida esquerda acreana trata aqueles que detêm um pouco mais de capital. Eles que antes de chegar ao poder “arrastavam a cachorrinha”, hoje moram nas melhores mansões de Rio Branco e nos bairros com suas guaritas longe da patuleia em sua miséria.

Gladson Cameli argumenta bem: “Ao contrário da minha família, aqueles que me chamam de “riquinho” enriqueceram da noite para o dia após entrar na política. Minha família saiu do seringal e foi ralar muito, trabalhou dia e noite para poder construir um patrimônio. Agora é fácil ficar rico a partir de um mandato na Câmara e conseguir uma casa no bairro mais conceituado de Rio Branco”.

Em 16 anos de governo, petistas e comunistas não conseguiram tirar o Acre da lanterna no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Os nossos socialistas revolucionários não foram capazes de garantir uma distribuição de renda mais justa –pelo contrário, mantiveram e ampliaram a concentração de grande parte da renda na mão de uma pequena burguesia. A redução da desigualdade foi quase nula.

Aliás, o petismo acreano é hoje o maior símbolo da burguesia no Estado, enquanto quase metade da população vive de um Bolsa Família que já não dá para comprar nada com a inflação que corrói seu poder de compra. Eles criticam quem é “riquinho”, mas seu capitalismo selvagem é mais feroz do que de um especulador de Wall Street.

Chamar Gladson de “riquinho” não vai reduzir sua vantagem apontada nas pesquisas. É melhor ter um rico no poder e que talvez não vá se locupletar do patrimônio público para aumentar o capital, a eleger as “vítimas do capitalismo” para lá triplicarem seus bens. A ética do comunismo a História já nos mostrou, onde todos são iguais, mas uns são mais iguais do que os outros (Como bem definiu George Orwell em seu clássico “A Revolução dos Bichos”).

Enquanto cubanos e norte-coreanos vivem em plena miséria, seus líderes supremos desfrutam do que de melhor o capitalismo pode oferecer.

O eleitor não merece ficar sujeito a esta disputa rasteira e sem proposta. Ao invés de acusar o adversário por ser rico, a Frente Popular deveria apresentar um plano de governo capaz de oferecer aos cidadãos menos favorecidos a oportunidade de sair da pobreza, gerar sua riqueza para um dia, quem sabe, também serem “riquinhos”. Dessa forma teremos uma sociedade bem melhor, sem miséria e com o capital sobrando no bolso de cada acreano.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Estreia na TV

O primeiro programa eleitoral na corrida pelo Palácio Rio Branco ficou dentro das expectativas. Os dois principais concorrentes, Tião Viana (PT) e Márcio Bittar (PSDB), evitaram a linha do ataque direto –como oposicionista o tucano não poderia fugir do script e cutucou o governo.

O petista, por sua vez, também ficou no roteiro ao apresentar a família na exposição de largada e mostrar os feitos de sua gestão para convencer o eleitor a lhe dar mais quatro anos.

É certo que esta linha paz e amor não perdure por muito tempo. A depender do resultado das pesquisas nas próximas semanas para aferir o impacto da propaganda no rádio e TV, os candidatos podem mudar a postura. Se Tião Viana observar o crescimento de Márcio Bittar, a tendência é partir para ofensiva e ir para o tudo ou nada.

Do outro lado a mesma coisa; se Bittar constatar o crescimento e não a queda de Viana, a solução é vestir a farda e preparar o armamento. Ao se observar as pesquisas Ibope e Delta de semanas atrás, há mais probabilidade de crescimento da candidatura tucana. Bittar tem o menor índice de rejeição entre os eleitores, o maior tempo de exposição e um programa eleitoral cuja qualidade técnica não deixou a desejar –ao menos na estreia.

Apesar de ser o vice líder em rejeição, Tião Viana tem o seu governo bem avaliado, e isso ajuda muito. Ao longo da campanha trabalhará para convencer o eleitor de que ele é a “mudança continuada”, que a troca do “certo pelo duvidoso” pode colocar em risco as “conquistas” dos últimos anos.

Em resumo, a campanha na mídia vai depender muito do humor do eleitor. Se ele tender para a troca de governo, a oposição sai ganhando, mas se for convencido de que o momento ainda não é propício para alterações, tudo continua como está.

Para passar suas mensagens, os candidatos terão como concorrentes o controle remoto e a internet. Na época da popularização da TV por assinatura, muitos preferem mudar de canal no início da propaganda eleitoral obrigatória –e antigamente sem escapatória.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Usina de votos

A presidente Dilma Rousseff (PT) esteve ontem pela enésima vez em Porto Velho (RO), enquanto que nos quatro anos de mandato pisou apenas uma vez aqui na terra onde o PT governa por mais tempo –e muito rapidamente. Mas esta não é a questão, pois o prestígio do Acre ante a pessoa da petista não é o dos melhores. Com sua comitiva oficial, ela foi a Rondônia fazer uso eleitoral das usinas do rio Madeira, Santo Antônio e Jirau.

Apresentando as obras como a redenção de um novo tempo para o desenvolvimento do país, através de uma segura produção energética em nossos rios amazônicos, Dilma apenas se esqueceu dos efeitos que estas obras causaram aos mais de 700 mil habitantes do Acre, outros milhares em Rondônia e também milhares na Bolívia.

Especialistas no assunto são contundentes em afirmar que as barragens do Madeira tiveram, sim, influência na cheia histórica do início do ano que deixou o Acre isolado do restante do Brasil, cidades rondonienses submersas e uma destruição sem igual no país vizinho. Os defensores da usina, incluindo Dilma, negam esta possibilidade, preferindo atribuí-la a questões climáticas.

Dilma, por exemplo, chegou a culpar o companheiro Evo Morales por não ter se comportado bem em 2013, e por isso São Pedro o ter castigado com chuvas torrenciais na Bolívia. Por sua vez, os bolivianos tinham um único culpado: as usinas brasileiras no rio Madeira. Aqui não preciso relembrar que, para nós acreanos, a mega-cheia teve como consequência o fechamento da BR-364, nos deixando sem alimentos e combustíveis.

O palanque montado pelo PT nas usinas nesta terça reacendeu a polêmica da questão ambiental travada em torno das obras, justo no momento em que a ex-ministra do Meio Ambiente de Lula, Marina Silva, posiciona-se como a adversária direta de Dilma na disputa presidencial. O andamento desta construção, por sinal, foi um dos pontos para azedar a relação entre as então companheiras de ministério de Lula.

Dilma criticava Marina por retardar a liberação das licenças ambientais. A ex-petista não se via segura para liberar a obra pois não havia estudos seguros para dizer quais seriam os impactos das usinas. Com a eleição se aproximando e Lula preocupado em fazer a sucessora, não deu outra? Marina perdeu a batalha e pediu demissão.

Coincidências ou não, o fato é que talvez a cautela ambiental de Marina estivesse certa, como presenciamos agora este ano. Dilma está preocupada com a questão? Nem um pouco, o importante é gerar energia para o Sul e Sudeste, enquanto aqui no Acre continuamos com as tarifas mais caras do país.

E se o Madeira invadir a rodovia de novo em 2015? Podemos voltar para o Peru, já que foi quem nos acudiu de nosso isolamento das Terra Brasilis. Nunca antes na história deste país a Amazônia foi tão sugada para salvar o Brasil de um apagão. Quais os benefícios destas obras para nós? Até agora não vimos. O único presente que recebemos foi ver nossa biodiversidade ameaçada, e milhares de pessoas vulneráveis a seus impactos.

E Assim caminha o Brasil. Viva a Amazônia, viva Santo Antônio, viva Jirau e viva Belo Monte.

A mudança eleitoral

Principal adversário de Tião Viana não é a oposição, mas sentimento de mudança do eleitor
Os dados apontam que mais de 75% dos eleitores querem mudança, sendo ela relacionada à troca de governo ou um novo modelo de governar

A campanha que de fato começa a partir de hoje com a propaganda eleitoral de TV e rádio mostra que o principal adversário de Tião Viana (PT) em busca pela reeleição não é, necessariamente, a oposição dividida em dois palanques. O principal adversário do petista será o sentimento de mudança expresso pelo eleitor em todas as pesquisas realizadas, seja da Frente Popular, seja dos opositores.

Os dados apontam que mais de 75% dos eleitores querem mudança, sendo ela relacionada à troca de governo ou simplesmente um novo modelo de governar. A favor de Tião pesa a sorte de, até aqui, a oposição não ter tido a capacidade de espelhar esta vontade popular.

O pensamento que ainda predomina é o “ruim com eles, pior sem”. Mas mesmo com estes fatores, o eleitor não tem pensado duas vezes, e atira no escuro com aqueles candidatos que disputaram as últimas eleições. Prova disso são os resultados cada vez mais apertados nas eleições, com o governo tendo que travar campanhas hercúleas para evitar a derrota.

Em 2014 Tião Viana terá dois concorrentes em busca de capitalizar ao máximo estes mais de 70% dos eleitores ansiosos por alterações: Márcio Bittar (PSDB) e Tião Bocalom (DEM). As últimas pesquisas apontam empate técnico entre eles, mas uma análise dos números nos permite concluir que o maior calo para o petista será Bittar.

Bocalom tem hoje boa memória eleitoral, mas carrega consigo uma “fadiga de material”. Tem 29% de rejeição –o campeão – e seus discursos já estão batidos para a grande maioria do eleitor. Em sucessivas disputas majoritárias desde 2006, demonstra não passar segurança nem capacidade de autorrenovação para o eleitor, sobretudo os de classe média, mais escolarizados e de maior renda.

Por sua vez, Márcio Bittar aparece como a “novidade”. Desde 2006 ele não concorre a uma majoritária. Mesmo longe das urnas em oito anos, seu nome empata e até ultrapassa Bocalom recém-saído de segundo turno na capital em 2012, e ainda apresenta a menor rejeição. Tem o maior tempo de TV entre todos os candidatos e um estilo mais técnico, que pode cativar aquele eleitor em busca de um oposicionista que lhe transmita segurança.

Mas contra ele pesa o fato de carregar as velhas figuras da oposição, o que pode comprometer a imagem da “novidade” para a mudança. Porém, com o petismo há 16 anos no poder, é difícil falar em novo. Para tentar amenizar o dano da caduquice do PT, Tião Viana precisará desvencilhar-se dos governos de Binho Marques (2007-2010), e do irmão Jorge Viana (1999-2006).

Terá ele coragem de fazer isso? Talvez não, pois não há como negar o bom legado destes dois governos, mas Tião não poderá ficar preso a eles. Também não há como esquivar-se, pois é herdeiro da gestão petista, não fazendo nada diferente dos antecessores. O desafio dele é convencer o eleitor de que mais quatro anos de fato representam “mais mudança”, um dos motes de sua campanha. O jogo começa agora.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Viva Chico


 No início de maio visitei o Parque Nacional da Serra do Divisor, localizado no município de Mâncio Lima (AC). A reserva está localizada bem na fronteira entre o Brasil e o Peru, sendo a Serra do Divisor o ponto de divisão entre os dois países. Detentora de uma das maiores biodiversidades do Planeta, a área também abriga centenas de famílias ribeirinhas.

Na teoria elas não poderiam estar ali por se tratar de um parque, mas como a grande maioria lá já morava antes da transformação da região numa área de proteção, elas permaneceram e aumentaram Sem poder explorar muito as terras, elas vivem à própria sorte e desamparadas pelo poder público.

Mesmo num lugar distante onde o único acesso são horas e até dias de viagem nas embarcações, a pecuária se faz presente em muitas localidades.

A única presença do Estado ali é por meio do Instituto Chico Mendes. Criado na gestão de Marina Silva no Ministério do Meio Ambiente, o órgão é acusado pelos moradores de fazer “terrorismo” para manter a integridade da área.

Neste vídeo, o morador José Maria Rebouças diz que os fiscais fazem abordagens de forma intimidadora e aplicam multas que chegam a até R$ 200 mil. No parque há uma base do Ibama abandonada usada tão somente como abrigo por “poderosos” para tomar cerveja aos feriadões.


Veja o vídeo 

sexta-feira, 11 de julho de 2014

A alquimia de Jorge Viana

Depois de ser escolhido por sabe-se lá quem para ser o coordenador da campanha de Dilma Rousseff no Acre, o senador Jorge Viana (PT), que prefere nunca deixar de ser lembrado como vice-presidente do Senado, deu sua primeira tacada para evitar o vexame de 2010 na disputa presidencial, quando a candidata petista levou um chocolate (igual o 7 a 1 de Brasil e Alemanha) de José Serra (PSDB).

Num gesto considerado audacioso, Jorge Viana afirma que vai trabalhar para atrair os partidos da base de Dilma em Brasília, mas que no Acre fazem oposição ao PT e estarão no palanque de Aécio Neves (PSDB). Entre estes partidos está o PMDB do vice Michel Temer. No Acre é notório que os peemedebistas há 16 anos fazem oposição ao petismo e sempre estiveram em palanques opostos ao do partido no plano nacional.

Apesar desta postura, há a informação de que, na votação para definir os rumos do partido este ano, os convencionais acreanos votaram pelo apoio a Dilma. Outra sigla em encrencas é o PP do candidato ao Senado Gladson Cameli. Oposição no Acre e sempre declarando apoio a Aécio Neves, Cameli se depara com o PP num cabo de guerra para decidir como se comporta em 2014: se com Dilma, Aécio ou neutro.

Ainda nesta lista aparecem PR e PSD. O PR acreano mais parece um templo evangélico, e será difícil os religiosos apoiarem Dilma com os ideais liberalizantes do PT (casamento gay, descriminalização da maconha e aborto). Mas como na política se vê de tudo, milagres acontecem a cada minuto.

O PSD do senador Sérgio Petecão é mais maleável. Porém, por conta da liderança de um senador da República no Acre e com o perfil de sua militância, é difícil ver a militância “pesedista” levantando a bandeira de Dilma ou do PT. Isso não cabe somente ao PSD, mas inclui PP, PMDB e PR.

A militância destas legendas há tempos caminha no campo da oposição e sofre com os ataques frequentes oriundos da Frente Popular, comandada por Jorge Viana. O petista pode até aplacar os ânimos dos dirigentes dos partidos de dupla face (oposição aqui, base lá), mas será difícil levar o conjunto da obra.

O mais provável nesta ocasião é Jorge Viana convencer os presidentes a não se empenharem na campanha de Aécio Neves, fazer um corpo-mole. É para isso que o eleitor precisa estar atento, se de fato o senador petista logrou êxito em sua tentativa e que tipo de acordos foram feitos por cima nos partidos camaleões.  

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Esperteza eleitoral

Se antes os governistas não mediam esforços em criticar o candidato ao Senado Gladson Cameli (PP) por explorar seu bom desempenho na liberação de recursos das chamadas emendas parlamentares aos municípios acreanos, agora a trupe palaciana quer fazer frente ao oposicionista. Desde a semana passada o senador Jorge Viana (PT) vem sendo apresentado como o pai da criança na liberação de R$ 70 milhões para obras de mobilidade urbana de Rio Branco.

Logo ele que semanas atrás criticava Gladson Cameli por, segundo o petista, apossar-se das emendas, quando se tratam de recursos federais. É evidente que o parlamentar não é dono dos recursos, cabe tão somente à canetada da presidente da República liberar ou não a verba.

Mas aqui cabe uma ressalva: Dilma só liberou tais recursos após o vexame de ter cancelado sua visita ao Acre no último dia 29. Para amansar o ego Vianista, recebeu os companheiros acreanos no Palácio do Planalto e, para ficar bem na foto, decidiu nos enviar verbas para estas bandas.

(O cancelamento da agenda de Dilma deixou o governador Tião Viana tão contrariado que ele nem foi para o encontro palaciano)

É inegável o empenho de Cameli em bater à porta dos ministérios em Brasília em busca da liberação de recursos, enquanto os parlamentares da base de Tião Viana (PT) fazem vista grossa à grotesca política da Frente Popular de boicotar as prefeituras administradas por partidos de oposição, deixando a população à revelia.

Como os prefeitos reconhecem, e aqui estão inclusos os da Frente Popular, não fossem as emendas dos parlamentares de oposição, as prefeituras não teriam um real para pintar um meio-fio com cal. E neste empenho Cameli tem sido referência, e esta imagem de boa atuação na liberação de dinheiro para o Acre já colou entre os eleitores.

Percebendo isso, Jorge Viana quer tirar do progressista a boa reputação. Parece difícil a esta altura do campeonato ele tentar reverter o quadro, logo ele que tanto criticou um deputado no exercício de sua função. A sociedade precisa perguntar a Jorge Viana como ele está aplicando os R$ 15 milhões de emendas a que tem direito todos os anos.

Está destinando tudo para o governo do irmão, enquanto os municípios passam pela pior crise dos últimos anos? O senador deveria andar mais pelo interior do Acre e ver que R$ 70 milhões resolveriam muitos problemas nas comunidades, ao invés de se aplicar só em obras para duplicação de ruas que, passadas as eleições, vão ser interrompidas até o próximo pleito.

O eleitor acreano não suporta mais demagogias e sabe quem é quem neste jogo, sabe quem de fato está empenhado com seu mandato para ajudar quem mais necessita. O eleitor fará o sábio julgamento no próximo dia 5 de outubro.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Mineiraço da Adidas

A alemã Adidas é a fornecedora oficial do uniforme da maior torcida do Planeta, a do Flamengo. Dizem que, para ter este feito, a empresa pagou alguns milhões de dólares para o clube carioca e, assim, ter em suas mãos uma grande massa de consumidores da marca Flamengo. Também responsável pelos uniformes da seleção de seu país, a Adidas decidiu homenagear a nação rubro-negra na camisa número dois do time alemão.

O objetivo é um só: atrair a simpatia dos torcedores brasileiros. Os alemães vieram para o Brasil com uma única meta: levantar pela quarta vez a Taça do Mundo, nem que para isso tenham que passar pelos donos da casa. O confronto Brasil e Alemanha não foi na final, mas na semi; portanto só um deles estará domingo no Maracanã (reduto flamenguista) disputando o título.

Segundo alguns jornais, a Alemanha jogará com o uniforme rubro-negro nesta terça. No fim de semana a confederação alemã de futebol divulgou vídeo em que uma das estrelas do time aparece usando a terceira blusa do Flamengo, bem parecida com o uniforme do país europeu –uma coincidência bem à Adidas.


Os alemães sonhavam com um segundo “maracanaço”, mas com a ajuda do marketing da Adidas vão em busca do “mineiraço”. Será que eles terão toda esta força diante de um estádio todo com o Brasil? Será que o uniforme rubro-negro dará sorte a eles? Vamos esperar a partida.   





sábado, 5 de julho de 2014

As diferenças republicanas

Causou surpresa na semana passada a informação de que o governo vai desativar no período eleitoral o seu principal portal de notícias, a Agência de Notícias do Acre. Nunca antes na história deste Estado se viu algo parecido.

Criada no bom governo Binho Marques –um gestor que deixa saudades nos acreanos – a agência tinha como objetivo ser a plataforma do governo para a produção e distribuição de conteúdo jornalístico de suas realizações.

E aqui temos de reconhecer, esta mesma linha foi mantida com Tião Viana –em alguns casos tentaram usá-la para questões partidárias do governador. Mas as críticas recolocaram a agência nos trilhos. Agora o contribuinte acreano que arca com uma estrutura pesada do sistema público de comunicação fica abismado com a decisão de retirar o site no período eleitoral.

Esta decisão só revela uma coisa: a total incompetência dos gestores da Comunicação do governo Tião Viana em separar o público do partidário. Por acaso toda estrutura do governo vai deixar de funcionar no período eleitoral? (Sim, vai!) Todos os servidores públicos estarão a disposição da campanha de Tião Viana?  (Em grande parte sim!)

Será que os gestores estarão tão empenhados na tentativa de permanecer no poder que não terão tempo de cuidar de um simples portal de notícias? O cidadão acreano não terá direito de saber o que o governo está fazendo nos quatro meses de campanha? (Somo quatro com o segundo turno).

Com a imprensa acéfala, o eleitor corre o risco de ficar às cegas neste período de eleição sem saber como o nosso grande arrecadador de impostos está nos trazendo de volta os investimentos. Não haverá a oportunidade do cidadão também fiscalizar as ações dos governantes.

A imprensa acreana não tem condições de realizar este trabalho que é seu dever por ser sufocada pelo governo petista nos últimos 16 anos. Ou seja, o eleitor perdeu sua capacidade da livre expressão, sem a interferência estatal. Com a única fonte de notícias oficialescas do governo fora do ar, aí que tudo tende a piorar.

Tempos sombrios o Acre está vivendo em sua vida republicana...  

segunda-feira, 30 de junho de 2014

A metamorfose petista

De olho nas pesquisas que apontam a mudança como o principal sentimento do eleitor brasileiro, o PT, mesmo com o desgaste de 12 anos de Poder no Brasil e 16 no Acre, tem investido seu marketing nesta onda. Pode parecer estranho, mas pela manutenção do domínio a política gera de tudo. A presidente Dilma Rousseff diz que será a “continuidade da mudança”. Aqui no Acre Tião Viana fala em “mais mudanças”.

Para o PT nacional, o desafio de se apresentar como a mudança e representando o velho será menos traumático do que para os petistas acreanos. O sentimento de mudança do eleitor local foi exposto nas eleições de 2010, quando por muito pouco o médico Tião Viana não embarcou na balsa rumo a Manacapuru.

Ouvindo a voz das roucas, o partido tinha como grande desafio diminuir a rejeição da população à sua longevidade no governo e se reciclar para as eleições municipais. Foi aí que veio o “novo” Marcus Alexandre. Produto bem trabalhado pelo marketing, o engenheiro foi desligado de qualquer imagem relacionada ao petismo.

O vermelho e a estrelinha foram deixados de lado, em seu lugar veio o amarelo. Apresentado como o “novo”, não teve muitas dificuldades de subir nas pesquisas e vencer o velho jeito de fazer política de seu principal adversário, Tião Bocalom, hoje no Democratas.

Marcus Alexandre venceu com a promessa de fazer o novo, mas continuou com as retrógradas práticas da política petista. Primeiro, não abriu mão do fisiologismo para garantir os apoios, transformou a prefeitura num guarda-roupa para pendurar os cabides de emprego. Enquanto o município gasta milhões com o pagamento de aliados, a cidade sofre com o abandono das buraqueiras.

Marcus Alexandre tem muito blá-blá-blá e pouco agir. Seu principal mérito é acordar cedo e tomar café na casa do povo. O PT continua com sua política de viver no mundo da fantasia, não há nada novo; a censura é a mesma, a perseguição a quem ousa contrariá-los só aumenta, e o próprio partido do governador está numa crise de divisão sem precedentes.

Vai ser difícil para o PT acreano falar em “mais mudança” agora em 2014 se as promessas de renovo lá em 2012 ficaram para inglês ver. Não há como negar as mudanças vividas pelo Acre nos últimos 20 anos, mas o PT, a partir de 2012, não deu provas de sua capacidade em promover a mudança a partir da continuidade. Ao contrário, as coisas pioraram: a saúde continua um caos, a economia está pobre, o contracheque reina no mercado, a segurança pública já perdeu a guerra para a bandidagem.

Esta é a mudança? Só se for para pior!

terça-feira, 24 de junho de 2014

Pode, Arnaldo?

Instituto que aponta reeleição de Tião no 1º turno tem contrato de quase R$ 2 milhões 

A imprensa acreana foi obrigada a publicar em seus diários desta terça-feira (24) uma pesquisa de intenção de voto que asseguraria a reeleição do governador Tião Viana (PT) já no dia 5 de outubro, sem a necessidade de um novo confronto com a oposição. A pesquisa é contraposição a uma outra divulgada no sábado (21) pelo site AC24horas, que contratou o Instituto Delta, empresa do Acre.

Nela, a situação é bem diferente, apontando um segundo turno como certo, hoje, na corrida pelo Palácio Rio Branco. Na Delta, Tião Viana tem 41% da preferência do eleitor, contra 22% de seu concorrente direto, o tucano Márcio Bittar
.
Na pesquisa encomendada pelo governo o petista venceria no primeiro turno com 54%, enquanto Bittar ficaria num empate técnico com Tião Bocalom (DEM), 20% contra 18%. O levantamento governista foi realizado pelo Vox Populi, um dos mais conhecidos institutos de pesquisa do país.

Na disputa para o Senado o Instituto Delta aponta empate técnico entre Gladson Cameli (PP) e Perpétua Almeida (PCdoB), enquanto a Vox Populi dá uma vantagem de 11 pontos para a comunista.

Soltar estes dados com o “respaldo” de um instituto nacional, na concepção petista, tiraria qualquer credibilidade do “primo pobre acreano” Delta. Mas se passarmos uma lupa na Vox Populi veremos seus interesses com o governo do Acre, refletindo aquilo que o governo sabe fazer de melhor: manipular as pesquisas em período eleitoral.

A Vox Populi renovou seu contrato de R$ 1,7 milhão com o governo acreano no último dia 6 de março, como mostra o “Diário Oficial”. É de se questionar quem pagou a realização desta pesquisa, se o governo do Acre ou algum partido da Frente Popular. É este questionamento que farão os advogados da Aliança de oposição a Tião Viana.

A credibilidade do Vox Populi no Acre caminha para ser a mesma do Ibope, que nunca acertou uma eleição no Estado. Às vésperas das eleições sempre trabalha para beneficiar as candidaturas do governo e prejudicar a oposição. Por quase R$ 2 milhões não é de esperar outra postura do Vox Populi.

O eleitor acreano precisar ficar atento a estas malandragens oficiais...




segunda-feira, 23 de junho de 2014

PT x Liberdade de Imprensa

Enquanto os brasileiros voltam suas atenções para os gramados da Copa do Mundo, uma outra partida está em jogo no país, e que coloca em risco a nossa democracia: trata-se do clássico PT contra a liberdade de imprensa.

Jornalistas passaram a ser hostilizados pela militância petista (certamente a mando de seus caciques), com os processos judiciais sendo a principal forma de intimidar o livre exercício da profissão no país.

O caso mais recente é a vergonhosa ação movida pelo governador do Acre, Tião Viana (PT), contra a jornalista Vera Magalhães, titular da coluna “Painel”, da “Folha de S Paulo”.  Viana chegou ao absurdo de processar criminalmente a colunista por ela reproduzir a fala da secretária de Justiça de São Paulo, Eloisa Arruda, que afirmou que Tião Viana agia como “coiote” no envio de haitianos para São Paulo sem o prévio aviso.

(Espero também não ser processado por noticiar este fato) 

Tal postura do governador acreano pode causar espanto para os brasileiros de outros Estados, mas para nós acreanos, governados há 16 anos pelo petismo, não nos causa nenhuma surpresa. Já conhecemos bem o modus operandi do PT lidar com a imprensa.

Desde a chegada do hoje senador Jorge Viana (PT) –irmão de Tião – ao governo, em 1999, a censura aos veículos de comunicação tem sido a principal marca da gestão petista.

Por meio do uso de verbas públicas, o partido tira do cidadão acreano a possibilidade de fazer qualquer manifestação contra o caos na saúde ou na segurança, entre outros cerceamentos.

Todos os anos são mais de R$ 14 milhões usados para calar a imprensa, num jogo de perseguição aos veículos e jornalistas que bravamente resistem contra a perseguição petista.
Esta mesma tática antidemocrática passa a ser adotada pelo PT nacional, que se vê às voltas com as sucessivas quedas de popularidade da presidente Dilma Rousseff. Apesar de sempre se posicionar em defesa da liberdade de imprensa, Dilma não consegue controlar o gênio petista de cercear a mídia para abafar seus desmandos e maquiar a realidade do país.

Os brasileiros não podem ficar concentrados somente nos nossos craques da pelota. Enquanto cochilamos, os inimigos da livre democracia operam para implementar a ditadura da esquerda. E nesta batalha a primeira vítima é a imprensa, sendo os processos na Justiça a forma mais intimidadora.