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segunda-feira, 29 de junho de 2015

Queremos em dólar

Um processo que se arrasta há 11 anos no Tribunal de Contas do Estado (TCE), cobra do Departamento de Estradas e Rodagens do Acre (Deracre) transparência na aplicação de verbas de empréstimos internacionais obtidos pelos governos do PT desde a gestão do governo Jorge Viana (1999-2006).

“O Deracre não tem fornecido ao TCE informações precisas sobre onde e como foram aplicadas no Estado as verbas do Banco Interamericano de Desenvolvimento  nos últimos anos”,  afirmou o conselheiro José Augusto Araújo de Faria, relator do processo.

O processo já foi analisado por três conselheiros. Na sessão da última quinta-feira (18), o relatório esteve em votação, mas o julgamento foi adiado por conta do pedido de vistas feito pelo conselheiro Ronald Polanco, ex-deputado estadual do PT, indicado para integrar o TCE pelo governador então Jorge Viana.

O placar da votação estava em três a um pela aprovação do relatório. Outros dois conselheiros ainda precisam votar. Por conta do longo período em que o processo se arrasta, o TCE já não pode aplicar sanções aos gestores que venham a ser considerados culpados, como o pagamento de multas.

Segundo Faria, em caso de rejeição das contas do Deracre, a corte apresentará o processo ao Ministério Público Estadual, a quem caberá denunciar, ou não, os gestores por crime de improbidade administrativa.

Entre os gestores à época está o atual prefeito de Rio Branco, Marcus Alexandre (PT). Questionado sobre os valores aplicados sem a devida especificação, o conselheiro afirmou que detalhes ainda não podem ser revelados, pois o relatório ainda está em julgamento.

“Eu acho que é preciso ser prestado contas dos recursos que o Estado é responsável. E isso inclui os empréstimos do BID. O Tribunal de Contas tem que saber para onde foram estes recursos, onde foram aplicados. Eu quero saber como e para onde foram estes recursos”, acrescentou o conselheiro a ContilNet.

De acordo com Farias, a corte já fez pedidos para o Deracre enviar explicações, mas o órgão tem deixado de prestar contas. “Está faltando o detalhamento, pois são recursos são públicos e sua aplicação precisa ser pública”, ressalta o conselheiro.

“O Estado está endividado, o Estado tem que pagar [o empréstimo]. Quem é responsável por saber como este dinheiro foi gasto é a Assembleia Legislativa, com a ajuda do Tribunal de Contas”, disse Faria.

Outro lado

Procurado, o diretor-presidente do Deracre, Cristovam de Pontes Moura, afirma que o departamento tem enviado todas as informações solicitadas pelo TCE, e que os pedidos mais detalhados também estão sendo preparados para envio ao tribunal. “O TCE tem entendido que as informações repassadas não são suficientes, então estamos nos preparando para atender às exigências”, concluiu Moura.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Defesa e ataque

Os advogados do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, dizem que a ação impetrada pelo governador Tião Viana (PT) contra seu cliente “é uma tentativa desesperada” de se esquivar do processo no qual é acusado de ter recebido, em 2010, R$ 300 mil de esquema de corrupção para sua campanha ao governo do Acre.

A audiência de tentativa de conciliação entre as defesas de Tião Viana e Paulo Roberto aconteceu na 5ª Vara Cível de Rio Branco, nesta terça-feira (23), mas acabou sem acordo entre as partes. Tanto o governador quanto o ex-diretor estão irredutíveis para fazer concessões e caberá à juíza Olívia Maria Ribeiro proferir sua decisão

ContilNet teve acesso às peças de defesa de Viana e Costa. Em ambas são feitas trocas de acusações numa tentativa de obter resultados favoráveis na sentença. O governador entrou com ação de danos morais contra o ex-diretor e pede R$ 40 mil de indenização.

Em delação premiada, no dia 1º de setembro do ano passado, Paulo Roberto afirmou que Tião Viana teria recebido R$ 300 mil do esquema do “petrolão”.

De acordo com os seus advogados, todas as informações prestadas pelo cliente ao Ministério Público Federal são verídicas e respeitam o princípio de se falar somente a verdade, e com provas, como exigem as regras da delação premiada.

“A conduta [de Paulo Roberto] está amparada pelo Direito Penal [...] estando este no exercício regular de um direito. A obrigação de dizer a verdade e contribuir com os fatos está amparada no acordo de colaboração criminal”, diz trecho da defesa do ex-diretor.

“Nota-se aqui uma tentativa desesperada em dar uma resposta a um fato do qual [Tião Viana] desejava se esquivar, embora esteja em fase de investigação no STF”, afirmam os advogados. O processo contra Tião Viana, contudo, tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O advogado do governador acreano, Odilardo Marques, diz acreditar que a sentença será favorável ao petista. “O cidadão atribui a um terceiro [Alberto Youssef] uma acusação contra o governador Tião Viana, e este terceiro depois nega tudo aquilo que foi dito em seu nome”,  avalia Marques, que pretende recorrer em caso de decisão negativa para Viana.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Rios do tráfico

A Operação Iaco, realizada pela Polícia Federal na semana passada, revelou aquilo que nós, moradores da Amazônia, já sabíamos há tempos: nossos rios, além de serem as nossas estradas da integração, passaram a ser usados pelos traficantes como rotas do tráfico. E o pior é saber que a estrutura policial para combater este tipo de crime é praticamente nula.

A própria Polícia Federal responsável pelo policiamento de fronteira pena para realizar seus serviços. Além de ter a atuação de seus carros limitada para conter gastos, a instituição não conta com um grupamento fluvial para realizar ações contínuas de combate aos “traficantes d’água”.

A assessoria diz que a PF conta com embarcações em sua estrutura, mas que por falta de condições não realiza um trabalho mais ostensivo nos rios. Na estrutura do Estado a situação é pior. Lembro-me de que no governo Binho Marques chegou-se a criar um pelotão fluvial da Polícia Militar. Muito festim foi solto para a entrega de “voadeiras” para os batalhões de Epitaciolândia e Brasiléia, na fronteira com Bolívia e Peru.

Mas os nossos rios continuam sendo um excelente corredor de passagem para os criminosos –não só de drogas, como de armas, contrabando de produtos. Nossa posição estratégica não permite ao poder público agir com tal omissão. Temos como vizinhos os dois maiores produtores de drogas do mundo. A nossa fronteira está escancarada para quem quiser passar.

O Brasil não tem uma política séria de proteção das fronteiras, faz vista grossa e ainda passa a mão na cabeça dos governos amigos que contribuem para fomentar o tráfico no continente. O reflexo disso é a violência urbana que a cada dia assola comunidades no País todo. Nossos presídios no Acre estão abarrotados de jovens cooptados pelo tráfico. Em um Estado pobre e de raríssimas oportunidades de emprego, a juventude se torna alvo fácil para o tráfico, com sua promessa de lucro alto e rápido.

Esta é a hora da “bancada da fronteira” reforçar projetos de mudança na Constituição para tirar o Exército dos quartéis e coloca-lo como polícia de fronteira. Está provado que a estrutura da Polícia Federal é deficitária. Não que a presença militar nestas áreas acabe com o crime, mas é um bom reforço –sobretudo no patrulhamento dos rios.

Se assim nossas autoridades não procederem, vamos continuar assistindo aos nossos meninos e meninas com os futuros destruídos pelo tráfico, e nós, jornalistas, noticiando as próximas operações Iaco, Juruá, Envira, Purus, Môa...

terça-feira, 23 de junho de 2015

Um governo sem agenda

Nunca antes na história recente do Acre se viu o início de um segundo mandato tão apagado como este do petista Tião Viana –se bem que se trata apenas do segundo governador reeleito em nossos 53 anos de Autonomia. (O primeiro foi justamente o irmão de Tião, Jorge Viana). Mas o fato é que o Acre está quase em estado de inércia, parado no tempo.

O governo demonstra não ter forças para fazer nossa enferrujada locomotiva voltar a andar; nem mesmo nossa ferrovia Made in China parece ter animado os petistas acomodados nas confortáveis poltronas da Casa Civil.

O governo Tião Viana vive o mais do mesmo. Em seis meses de mandato nenhuma novidade foi lançada. Enquanto Dilma inventa alguns programinhas novos para tentar salvar o Brasil da lona, o Palácio Rio Branco fica de braços cruzados. O segundo mandato de Tião Viana vive das migalhas do primeiro. O governador está sem agenda –isso em todos os sentidos.

A impressão é de que estamos tudo muito bem, obrigado, sem a necessidade de investir em mais nada. Outra análise é que, a Tião Viana, não sobrou mais nada para se fazer: ele herdou uma obra pronta dos sucessores Binho Marques e Jorge Viana.

Para expor o governador na mídia, só mesmo visitas aos mesmos programas do primeiro mandato, e quando algum ministro de Dilma resolve dar as caras pelo Acre. Em alguns casos é preciso requentar agendas, como há algumas semanas quando voltaram a prestar contas da arrecadação do Acre Solidário, dos donativos recebidos para a enchente de fevereiro. Por estes dias, Tião Viana se deu ao luxo de passar uma semana fora do Acre, em viagem à Espanha.

A justificativa é vender nossa imagem como exemplo de sustentabilidade econômica e social, quando na realidade a situação é bem oposta. Ainda moramos num Estado bastante pobre e atrasado nestes dois aspectos: o social e o econômico. Esta “velha agenda” já não cola mais.

O governo parece não ter a iniciativa de querer se reinventar para este segundo mandato. Parece que seu único objetivo em 2014 era este: assegurar a reeleição apenas por acomodação de poder, e não para dar continuidade a um projeto de governo apresentado à sociedade em 2011 –projeto este bem confuso e sem linha lógica diante de políticas que disparam para todos os lados, sem um foco central.

O petista Tião precisa dizer para quê lutou tanto por mais quatro anos no poder: se apenas por capricho pessoal ou para de fato agir como estadista e fazer o Acre sair de sua histórica inércia nesta ilha amazônica. Novos projetos e programas precisam ser lançados, o governo tem que sair de sua zona de conforto. A situação não é das melhores, o País atravessa uma crise econômica. Em tempos de crise nada melhor do que a ação, a inação só afundará nosso poço.

O governador precisa largar as picuinhas partidárias de lado e deixar de calcular somente como ficará o cenário para ele em 2018, com seu irmão Jorge atrapalhando seus planos de voltar para o Senado. Tião precisa entender que os acreanos lhe deram mais quatro anos para governar, e não fingir governar. É por essas e outras que, sim, o fim da reeleição no Brasil é uma necessidade – ainda estamos pouco evoluídos para conviver com a democracia.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Aposentadoria verde

O Instituto de Previdência do Acre (Acreprevidência) terá disponíveis 2.600 lotes na Cidade do Povo para a construção de casas que serão construídas pelo Minha Casa Minha Vida como tentativa de equilibrar as contas previdenciárias do Estado. Com o crescente número de concessão de aposentadorias e a perda de receitas, o Acreprevidência vem enfrentando um déficit mensal de R$ 9 milhões.

Esta semana o governo enviou para a Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) projeto de lei para ampliar as fontes de recursos do instituto para enfrentar estes resultados negativos. Além do investimento imobiliário, o Acreprevidência passará a captar recursos por meio dos futuros royalties da exploração de gás e petróleo no Estado, o crédito de carbono e rendas de exploração florestal.

“O Acre, possivelmente, será pioneiro nesse tipo de alternativa. Também receberemos imóveis que estejam ociosos e que possam ser monetizados ou produzir rendas”, diz José Anchieta Batista, presidente do Acreprevidência.  Em 2015, mais 1.500 servidores estaduais vão se aposentar, aumentando em R$ 3 milhões a despesa com a folha de aposentados.

Saúde preventiva

O Ministério Público Estadual (MPE) está de olho nos contratos da Secretaria de Saúde do Acre para a realização de exames de diagnósticos de imagem e radiologia por meio de empresas privadas. A medida é uma tentativa de evitar a repetição de fraudes detectadas pela Polícia Federal durante as investigações da operação G7 nestes mesmos tipos de contratos, no início de 2013.

Conforme a denúncia feita pelo Ministério Público Federal, e aceita pela Justiça, uma empresa de fachada, a Centtro Medicina Diagnostica Ltda, foi aberta para abocanhar as licitações do Sistema Único de Saúde (SUS) para a contratação de empresas para a realização de exames.

A empresa era composta por empresários do Acre e médicos de Brasília. De acordo com a denúncia, Tiago Viana, ex-diretor de Análises Clínicas da Sesacre, atuaria para facilitar o acesso da Centtro aos processos de licitação do Estado; todos os réus negam as acusações.

Para evitar novos problemas, a promotoria de Saúde vai acompanhar de perto a execução destes contratos entre governo e empresas.

A Sesacre ficará obrigada a enviar cópias dos contratos com as empresas para que o MP faça a fiscalização mais rígida para encontrar eventuais falhas ou desvios. Duas servidoras foram destacadas para cuidar especificamente deste trabalho.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Fronteira aberta

Depois de haitianos e senegaleses consolidarem o Acre como uma das principais rotas de entrada no Brasil, outras nacionalidades também passam a usar a fronteira acreana com Bolívia e Peru como caminho para se tentar a vida no País. Além haitianos, senegaleses, dominicanos e de outras 10 nacionalidades africanas e asiáticas, agora agora surgem imigrantes da Gâmbia, entre que são acolhidos no abrigo mantido em Rio Branco pelos governos federal e estadual.

Durante a semana quatro gambianos se juntaram aos outros 660 imigrantes acomodados atualmente no local, sendo 516 haitianos, 143 senegaleses, quatro gambianos, três dominicanos, um equatoriano e um bangladeshiano.

Como o governo deixou de financiar as viagens de ônibus para outras cidades do País, a quantidade de pessoas voltou a crescer. O abrigo tem capacidade para apenas 200 pessoas. O governo afirma que retomará o transporte até o fim da próxima semana.

Contilnet esteve nesta quarta (17) no abrigo para conversar com os imigrantes de Gâmbia. Contudo, entre os africanos impera uma espécie de “lei da mordaça”, onde ninguém pode conversar com jornalistas sem a autorização do “chefe” ou “presidente” do conselho formado por eles.

Ao contrário dos haitianos, bem mais acessíveis, os africanos são fechados e não gostam de conceder entrevistas. Os funcionários do abrigo vêm tentando acabar com esta prática, deixando claro que a única liderança é a da coordenação, e que todos os imigrantes são livres.

A Gâmbia está localizada na África Ocidental e sofre com crises políticas e econômicas. Os cidadãos gambianos estão entre os africanos que tentam entrar na Europa atravessando o Mediterrâneo em embarcações clandestinas conduzidas pelos “coiotes”. Tem sido comum nos últimos meses o resgate de imigrantes que ficam à deriva no mar perto da costa italiana.

Conforme a reportagem apurou, a rota pelo Acre foi apresentada a eles pelos senegaleses, que estão logo atrás dos haitianos no número de abrigados em Rio Branco.

De Bangladesh ao Acre

Suhel Ahmed, 28, é o único imigrante de Bangladesh no abrigo. Ele conta que levou quase um mês para chegar ao Brasil. Da capital Daca, Ahmed foi em voo para o Qatar, de onde seguiu para Buenos Aires e Lima. Da capital peruana seguiu por estrada até o Acre.

“Quero uma oportunidade de trabalho e recomeçar a vida. A situação em meu país está muito complicada”, diz ele, que espera o recomeço das viagens pagas pelo governo para buscar emprego em São Paulo.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Uma Cordilheira no caminho

Depois de a rodovia Interoceânica ligando o Brasil ao Peru se tornar inviável economicamente por conta dos limites de carga para o tráfego nos Andes, a Ferrovia Bioceânica cuja construção será financiada pela China, ligando portos do Rio de Janeiro à Região Norte e ao Peru, poderá atravessar um “santuário” da floresta amazônica ainda pouco impactado pela ação humana.

Conforme o projeto inicial da obra, a ferrovia cruzará o Acre de uma ponta a outra, saindo da região mais afetada pela ocupação de atividades agropecuárias, até uma área de mata fechada protegida por unidades de conservação terras indígenas e o Parque Nacional da Serra do Divisor. A região do Vale do Juruá é apontada como uma das mais ricas do mundo em biodiversidade.

Por conta das características da floresta, o Vela do Juruá se tornou uma das poucas áreas do Acre onde a mata nativa vem se mantendo preservada. O Estado mantém 88% de sua floresta em pé, sendo metade deste total na região do Juruá.

A Ferrovia Bioceânica terá como consequência a destruição de grandes áreas de florestas para que os seus trilhos saiam de Cruzeiro do Sul até a cidade peruana mais próxima, Pucallpa, capital do departamento de Ucayali. Atualmente, esse deslocamento só é possível via fluvial ou aérea.

A rota por dentro da floresta amazônica é a forma de driblar as dificuldades da construção da ferrovia caso seguisse o mesmo trajeto da rodovia. Plenajeada para ser a redenção do comércio do Brasil com os mercados da Ásia via os portos peruanos do Pacífico, a rodovia vem sendo utilizada mais como roteiro turístico. A rota pelo Juruá evita as Cordilheiras dos Andes, facilita a obra e o possível futuro deslocamento dos trens.

Durante a semana, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, disse que a Ferrovia Bioceânica poderá ser feita por etapas. Para o ministro, a obra já se justifica só pelo lado brasileiro no trecho brasileiro até Porto Velho, em Rondônia, para escoamento da produção pelo Rio Madeira e melhoria da infraestrutura para transporte de grãos.

Gás e petróleo

Além do projeto da ferrovia, outro empreendimento preocupa os ambientalistas: a exploração de gás e petróleo no Vale do Juruá.

No final de abril, especialistas no assunto debateram a questão em Cruzeiro do Sul e afirmaram que os impactos da atividade terá grande impactos na floresta e nas populações tradicionais. A Bacia do Acre já foi leiloada pela Petrobras, e a expectativa agora gira em torno do início dos trabalhos de prospecção.

Velha e imatura democracia

Neste 15 de junho o Acre celebra os seus 53 anos de emancipação política. Após quase 60 anos como Território Federal, o Acre passava à categoria de Unidade Federativa por meio da lei sancionada, em 15 de junho de 1962, pelo então primeiro-ministro Tancredo Neves. O Brasil vivia um momento conturbado de sua história após a queda de dois presidentes: João Goulart e Jânio Quadros.

Dois anos depois o Brasil entraria em duas décadas de regime militar. E o Acre, com sua pouca convivência com a democracia, iria desfrutar muito pouco de sua tão cobiçada autonomia, que tinha como um de seus objetivos pôr fim à política do “dedaço”, quando os governadores (interventores) do Território Federal eram indicados pela então capital Rio de Janeiro.



O Acre elegeu como seu primeiro governador José Augusto de Araújo, que derrotou um dos principais líderes do Movimento Autonomista - o senador José Guiomard dos Santos.

A eleição de José Augusto dava fim a um longo período de governadores biônicos, indicados e tirados do poder por canetadas dos presidentes da República. Mas os anos de democracia duraram pouco. Em 1964 os militares, com grande apoio de setores civis, deram um golpe. E um dos primeiros direitos retirados da população foi a possibilidade de eleger seus representantes.

A partir de então, até 1982, os governadores voltaram a ser indicados por Brasília. Os governadores deste período foram Wanderley Dantas, Geraldo Mesquita e Joaquim Mansour Macedo, tio do hoje governador Tião Viana (PT). A família do governador e do senador Jorge Viana fazia parte do partido de sustentação da ditadura militar, a Arena (Aliança Renovadora Nacional).

Somente em 1982 –vinte após a conquista da Autonomia - os acreanos puderam voltar às urnas para escolher seu governador. Quando o País se preparava para o processo de “reabertura democrática”, o principal partido de oposição, o MDB, venceu na grande maioria dos Estados, incluindo o Acre. Nabor Júnior foi escolhido pelo voto como novo chefe do Palácio Rio Branco.

Em 1985 o Brasil deixava para trás os “anos de chumbo”. Em 1986 os acreanos elegeram Flaviano Melo (MDB) como sucessor de Nabor Júnior. Em 1990 a família Macedo tentava retomar o poder por meio do jovem engenheiro florestal Jorge Viana, que havia virado militante da “esquerda” e estava filiado ao PT de Luiz Inácio Lula da Silva. Mas a “direita” com o PDS elegeu o também jovem Edmundo Pinto, assassinado dois anos depois.

Em 1994 outra eleição, desta vez sendo eleito o ex-prefeito de Cruzeiro do Sul, Orleir Cameli, o quinto governador escolhido pelo voto direto dos eleitores. Em 1998, enfim a esquerda liderada pelo PT vence uma disputa para o governo. A eleição de Jorge Viana representava, ao mesmo tempo, o rompimento e a manutenção dos mesmos grupos políticos do Estado no poder, incluindo aqueles beneficiados pelo regime militar.

Jorge Viana foi o primeiro governador reeleito do Estado, em 2002. Enquanto isso, seu irmão Tião Viana, como senador, construía as bases para um dia sucedê-lo. Mas, para isso, era necessário um governo tampão já que a lei impede a sucessão entre familiares. Em 2006, Binho Marques é escolhido pelas urnas o sétimo governador, com Tião Viana sendo o oitavo a partir de uma das disputas eleitorais mais acirradas da história acreana, nestes seus 53 anos como Estado membro da República Federativa do Brasil.

sábado, 13 de junho de 2015

Bate aqui


Esta foto emblemática mostra Tião Viana com sua ex-secretária da Fazenda, Flora Valadares, que ficou no cargo por míseros cinco meses. Na cadeira deixada por ela assumiu de direito o primo do governador, Joaquim Manoel Mansour Macedo, o Tinel. Desde 1999 o parente dos irmãos Viana vem atuando como o subcondutor da política fiscal dos governos petistas, à sombra do quase eterno secretário Mâncio Lima Cordeiro. (Tinel sai da sombra)

A política fiscal do governo foi o assunto que rendeu os debates ao longo da semana. Tudo por conta do projeto que altera a forma de cobrança do ICMS, do regime de antecipação para o da apuração. De repente surgiram no horizonte os maiores crânios de política econômica e tributária do planeta para acusar o governo de mil e uma coisa.

A primeira acusação foi de aumento de impostos, quando tal questão nem foi levantada durante a coletiva de imprensa. Não há aumento das alíquotas do ICMS, apenas mudança no sistema de arrecadação; haverá, ao contrário, até certo alívio para o consumidor, já que o pequeno e médio empresário comprará sua mercadoria livre (zerado) do imposto.

Portanto, falar que a mudança contribuirá para elevar a inflação é leviano e brincar com a inteligência das pessoas. Acusar só por acusar, apenas pelo fato de ser militante político, não tem valor.
O debate é mais amplo e exige o desapego de paixões para se analisar as questões de forma fria e criteriosa.

Apesar da resistência inicial, os empresários agora se mostram simpáticos à proposta. Com todos aqueles com quem conversei, a constatação é de que as novas regras foram aprovadas pelo setor; e a aprovação não se deu por mera conveniência política. Eles provaram por A mais B de que o regime da apuração é melhor, pois corrige distorções.

Todo este projeto de alteração já vinha sendo discutido há pelo menos dois anos. E a fase final do projeto de lei foi esboçado por Flora Valadares, que agora será a auxiliar direta de Tião Viana para assuntos orçamentários dentro da Casa Civil. Nada contra o primo do governador ficar à frente da Sefaz, mas sua capacidade de articulação e exposição pública ficou bem abaixo do esperado na coletiva para expor o novo regime.

Céu verde

Passagens aéreas na Amazônia serão subsidiadas a partir do segundo semestre 

Os acreanos podem começar a pagar um preço menor nas passagens aéreas. É o que prevê o programa do governo federal para subsidiar os custos das empresas de transporte aéreo que operam na Amazônia Legal. De acordo com o ministro Eliseu Padilha (Aviação Civil), a Amazônia será a primeira região do País a receber os investimentos da política de fomento da aviação regional, a partir deste segundo semestre.

Além de ser a primeira, a Amazônia Legal terá também condições diferenciadas. “Não vai ter os limites que teremos nas outras regiões, não está limitado a 60 lugares [subsidiados por aeronave]. Lá, pode chegar até a aeronave inteira, se ela tiver até 120 lugares”, disse o ministro.

Serão priorizados aeroportos que, devido à falta de voos regulares, corriam o risco de deixar de operar na região.  “A decisão da presidente [Dilma] é que comece lá. Nós estamos selecionando, já conversamos internamente com a Anac [Agência Nacional de Aviação Civil] e com a Infraero [Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária] para começarmos [entendimentos] com as empresas aéreas”, disse o ministro.

As declarações foram dadas durante audiência pública hoje (10), na Câmara dos Deputados, convocada pelas comissões de Turismo e de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia.

O Programa de Aviação Regional foi criado em 2012 para conectar e levar desenvolvimento a lugares mais distantes dos grandes centros. O programa pretende investir na construção ou reforma de 270 aeroportos espalhados pelo país. A previsão de investimento é de mais de R$ 7 bilhões.(Com Agência Brasil )

Uma balsa a caminho

Manacapuru sofre a maior enchente histórica com cheia do Solimões 

Depois de Rio Branco e municípios banhados pelo rio Acre sofrerem a maior enchente das últimas décadas no início de 2015, agora é a vez das cidades amazonenses sofrerem com a elevação do nível dos rios que cruzam o Estado, em especial o Solimões. E uma das cidades mais castigadas é Manacapuru (distante 84 km de Manaus), famosa no Acre pelo folclore político local.

Conforme a tradição no Estado, quem perde uma disputa eleitoral para qualquer cargo embarca numa balsa rumo a Manacapuru. Mas os portos do município amazonense podem ficar comprometidos com a grande cheia do Solimões. De quinta para sexta, o rio subiu cinco centímetros, o que faz Manacapuru sofrer a maior cheia dos últimos tempos.

A subida do Solimões foi muito forte. Foi a maior de todas, tanto que o município de Fonte Boa, no Médio Solimões, ultrapassou em 60 cm o recorde anterior.

Em Manaus, a cheia do rio Negro já é a quinta maior de todos os tempos (29,55m), superando em cinco centímetros a do ano passado, cuja cota máxima foi de 29,50cm. Com um detalhe: em 2014 a marca foi alcançada no final de junho.


No início do ciclo, o Negro estava enchendo dentro da normalidade, mas como é represado pelo Solimões, o efeito é inevitável. De acordo com os institutos de clima do Amazonas, a previsão é que a vazante dos rios Negro e Solimões comece a acontecer nos próximos 10 dias. (Com A Crítica )