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domingo, 19 de outubro de 2014

Confusão numérica

Vox Populi e Ibope apontam vitória de Márcio Bittar 

À primeira vista o leitor pode ficar confuso com esta manchete. Afinal de contas, não foi bem isso que você leu na última semana na imprensa acriana. Por lá as letras gigantes apontavam a vitória consagradora do candidato à reeleição, Tião Viana (PT). Mas explico o porquê deste meu “gancho” (jargão jornalístico para o foco central da reportagem). Levando em consideração os erros grotescos destes dois institutos no primeiro turno, o mais provável é que o vencedor no próximo domingo (26) seja Márcio Bittar (PSDB).

Analisemos os números: a última pesquisa Ibope divulgada dias antes do 5 de outubro, apontava a reeleição de Tião sem o segundo turno. Porém, iremos nos ater aos números de seu adversário direto. Bittar aparecia com 23% das intenções, empatado com os mesmos 23% de Tião Bocalom (DEM).

Ao fim o tucano ficou com 30% dos votos, e Bocalom, 19%. Levando em consideração o resultado, o Ibope subtraiu de Bittar ao menos 7%. Se agora no segundo turno o instituto mostra o candidato com 47%, então é certo dizer que, na verdade, Bittar tem 53%. Já Tião Viana tenderia a ficar com os mesmos 49% da margem de erro do primeiro turno (Ele tinha 47%)

Já com o Vox Populi e seus contratos milionários com o Palácio Rio Branco, a situação é bem mais bizarra. O levantamento do começo do mês indicava que Márcio Bittar teria 19% dos votos. Ou seja, o tucano foi prejudicado aí em 11%. No segundo turno o Vox Populi  o mostra com 43%. Na verdade, reavaliando o erro, o adversário de Tião Viana teria 54%.

Já o governador que o Vox Populi apontava como reeleito com 53%, ficou com 49%. Considerando a margem de erro, o governador continuaria com os mesmos 49%. Esta foi a conclusão à que o blog chegou semanas atrás quando afirmou que Tião Viana tinha alcançado o seu teto de votos. Seria mais fácil a ascensão de Bittar do que a sua. De fato foi o que aconteceu.

O tucano foi o mais beneficiado pela migração dos eleitores de Bocalom. O petista, contudo, mostra claros sinais de estagnação –mesmo com os números maquiados de Ibope e Vox Populi.

Agora o Instituto Delta aponta a virada de Bittar. É impossível? Não. Levando em conta que seu candidato a presidente lidera as pesquisas nacionais e no Acre, Bittar tende a ser carregado por esta onda.  Por aqui o Ibope mostra Aécio Neves (PSDB) com 59%, contra 32% de Dilma Rousseff (PT).

Por estas e outras a minha manchete acima não é tão bizarra assim. O resultado concreto só no domingo. Posso estar completamente certo, como completamente errado. É esperar o Instituto Eleitor.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

As cutucadas de Lula nos Vianas

“Tem muita gente que pergunta pra mim: Lula, por que você gosta tanto do povo do Acre, se em muitas eleições ele não votou em você? É porque não é assim que a gente governa, a gente não governa olhando para o resultado da eleição. Eu gosto de quem votou em mim e não gosto de quem não votou em mim. Não é assim. O meu caráter não é esse. Eu não governo esperando que todos os dias as pessoas acordem me agradecendo. Eu duvido que em algum momento da história da existência do Acre, o Acre recebeu metade do dinheiro que recebeu nestes 12 anos com Dilma e Lula. E nunca perguntei em quem as pessoas votavam. Nunca perguntei que religião tinham, e muitos menos que time torcia. É porque eu achava que o Brasil tinha de ser mais igual, e tinha que tratar o Acre com o mesmo respeito que a gente tratava São Paulo. O presidente da República que tiver vergonha ele não vai tratar bem aqueles que são seus amigos e tratar mal aqueles que não gostam dele. Porque não é uma relação de gostar, mas de tratar o povo com respeito.”

Estas belas palavras foram proferidas pelo ex-presidente Lula (PT) num palanque montado ao pé da bandeira do Acre, no calçadão da Gameleira, debaixo de um sol escaldante de 40 graus. Ao seu lado estavam os irmãos Jorge e Tião Viana, também do PT.

Este discurso representa a síntese de um bom estadista. Não à toa Lula é uma das principais lideranças políticas brasileiras da atualidade. De fato o Acre foi muito beneficiado nos dois governos Lula, e também –eu acho – que no de Dilma, mas numa escala bem menor. É provável que os últimos quatros anos de FHC, com Jorge no Palácio Rio Branco, tenham sido bem mais vantajosos para o Acre do que na comparação com a gestão da presidenta.

Outro ponto é uma cutucada indireta de Lula aos governos petistas no Acre. Se ele realizou um governo republicano, ajudando os Estados sem distinção da cor partidária do governador, por aqui esta política, infelizmente, não prevalece. Sabemos que no Acre os prefeitos da oposição são tratados a pão e água pelos governos de Jorge, Binho Marques e Tião Viana.

Que a partir destas palavras o governador Tião Viana, se reeleito no outro domingo (26), repense suas relações institucionais com as prefeituras. Que estas palavras de Lula sejam impressas e pregadas nos gabinetes da Casa Rosada.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Alguém viu o PCdoB por aí?

A  realização do segundo turno no plano nacional e local, mais o nocaute dado por Gladson Cameli (PP) em Perpétua Almeida (PCdoB) pelo Senado, tem feito com que eleitores e analistas deixem de avaliar como fica o futuro do maior aliado do PT no Acre, o Partido Comunista do Brasil, PCdoB.

Apontada como uma das principais forças políticas do Estado, a legenda vem, a cada eleição, diminuindo seu espaço, ou mantido o tamanho que lhe é peculiar. O PCdoB termina 2014 do mesmo tamanho de quando começou sua formatação no Acre, há 24 anos. Em 19990 os camaradas elegeram Sérgio Taboada para a Assembleia Legislativa, no mesmo “blocão de esquerda” que levou os petistas Marina Silva e Nilson Mourão.

O maior auge vermelho talvez tenha sido nestes últimos quatro anos. O PCdoB tinha dois deputados estaduais, uma deputada federal e um de seus fundadores, Edvaldo Magalhães, naquela que pode ser tida como a mais importante das secretarias do governo Tião Viana (PT), a de Desenvolvimento e Indústria. (Tal posição ocasiona ainda ciumeiras dentro do petismo).

O PCdoB acreano sofre do “complexo de majoritário”. Nunca passou de cargos no Legislativo. Sua primeira aposta foi em 1996, quando rompeu com o PT do prefeito Jorge Viana para brigar pelo comando da capital. O resultado foi patético e o PMDB elegeu Mauri Sérgio.

Reatada a relação com o PT, os camaradas foram fieis aliados dos governos petistas. Nos dois mandatos de Jorge Viana no Palácio Rio Branco, Edvaldo Magalhães foi seu líder de ponta a ponta, sem recuar, sem cair e sem temer. A lealdade lhe rendeu a presidência da Assembleia Legislativa no governo Binho Marques (PT).

Foi na condução do Parlamento que dava seus primeiros passos para uma candidatura majoritária. Seu objetivo era uma das duas cadeiras do Senado disponíveis em 2010. Fez uma gestão moderna na Assembleia, concentrou superpoderes (chegou a ser chamado de governador paralelo a Binho) e construiu suas bases para o voo solo.

Mas o momento político não era da Frente Popular. Mesmo tendo como principal cabo eleitoral o carismático e popular Jorge Viana, o camarada não decolava. A segunda cadeira era da oposição. E quem a ocuparia? Sérgio Petecão (PSD), presidente da Assembleia do Acre nos dois mandatos de....Jorge Viana.

Edvaldo perdeu e a mulher, Perpétua Almeida, obtinha a segunda reeleição para a Câmara. Fechadas as urnas já se falava em 2012. O PT estava como carta fora do baralho. Os principais nomes para disputar a prefeitura de Rio Branco eram os do quase governador Tião Bocalom (DEM) e Perpétua Almeida.

PT e PCdoB, então, começaram uma guerra interna dentro da Frente Popular. Perpétua reivindicava o direito do partido de ter uma cadeira num Executivo importante. Os camaradas diziam que já tinham cedido demais para o PT. A legenda de Tião, porém, não recuou um centímetro. Ao PCdoB restou a vice e à Perpétua fazer corpo-mole na campanha de Marcus Alexandre –vindo a declarar apoio somente no segundo turno.

Foi tal postura que fez, agora em 2014, muitos petistas declararem empenho total na campanha dela para o Senado, “mas só no segundo turno”. O fim desta história já conhecemos. Pela segunda vez consecutiva o PCdoB perde uma cadeira para o Senado, deixando a oposição com a maioria, não fez o sucessor de Perpétua na Câmara, e lhe restou apenas um deputado na Assembleia –este sem nenhuma ligação com os grupos dominantes da legenda.

Nos bastidores fala-se em vingnça comunista agora na eleição do segundo turno, uma espécie de empenho de faz de conta na campanha de Tião Viana. Tal postura é pouco provável, pois a eventual vitória de Márcio Bittar (PSDB) implicaria numa onda de comunistas abarrotando as agências da Caixa em busca do seguro deemprego. Então, o melhor é dar aquele abraço nos companheiros petistas para não ficarem na rua da amargura.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Todo Mundo Ama Marina

No Acre, tucanos usam imagem de Marina ao lado de Aécio e Bittar 



Os tucanos acreanos passaram a explorar a imagem da ex-senadora e candidata derrotada à Presidência, Marina Silva (PSB), em parte de seu material de campanha na internet. A imagem da nova aliada veio após Marina anunciar, neste domingo (12), seu apoio à candidatura de Aécio Neves (PSDB). Com a disputa para o governo do Acre também polarizada entre PT e PSDB, Marina ainda não se manifestou sobre em quem votará.

O segundo turno em seu Estado natal é disputado entre o candidato à reeleição Tião Viana (PT) e o deputado federal Márcio Bittar (PSDB). A Rede, principal grupo político representante de Marina no Acre, optou pela neutralidade na corrida pelo Palácio Rio Branco.

Um de seus principais líderes, Doutor Julinho, que perdeu a disputa pela Assembleia Legislativa, é casado com a chefe da Casa Civil de Tião, Márcia Regina. Outros marineiros também ainda mantêm relações com a gestão petista. Além do mais, a ex-ministra é amiga de antigas lutas dos irmãos Viana, sobretudo com o senador Jorge Viana (PT).

Em eleições passadas, Marina foi adversária deste atual grupo de oposição que tenta acabar com a hegemonia de 16 anos de PT no Estado.

Sem se importar muito com isso, alguns tucanos tentam pegar carona na onda de popularidade da ex-senadora por aqui. Na votação do primeiro turno Marina obteve 41,99% dos votos, sendo Aécio Neves o segundo colocado.

No auge da popularidade de Marina, quando aparecia em empate técnico com Dilma Rousseff (PT) e derrotando a presidente num possível segundo turno, alguns membros do tucanato acreano diziam que a candidata do PSB (partido  aliado de Tião Viana) teria sua campanha no Acre organizada pela oposição. A virada de Aécio, contudo, evitou tal imbróglio eleitoral.


Aspas 
“Sobre Marina Silva e o Acre, a nossa líder não apoia nem o candidato a reeleição Sebastião Viana, nem o candidato Márcio Bittar, qualquer uso da imagem ou do nome dela é, além de indevido, oportunismo político. Nossa posição é coletiva e de independência em relação ao segundo turno local e as duas candidaturas que estão concorrendo ao governo do Estado. Sem mais.”

Carlos Gomes, Coordenador da Rede Sustentabilidade no Acre


Voto a voto

Delta mostra empate técnico entre Tião Viana e Márcio Bittar 

Gina Menezes/Contilnet 

A primeira pesquisa ContilNet/Delta realizada no segundo turno das eleições deste ano, mostra um empate técnico entre os candidatos Tião Viana (PT) e Marcio Bittar (PSDB).De acordo com os dados levantados pelo Instituto Delta, após entrevista com 1.200 eleitores, Tião Viana tem 47,5% dos votos, contra 46,8% do tucano Marcio Bittar.

O que mais chamou atenção na pesquisa, realizada entre os dias 8 e 12 de outubro, foi que grande maioria dos votos de Tião Bocalom (DEM) migrou para Marcio Bittar, neste segundo turno.

Pelo menos 5% dos entrevistados se dizem indecisos, enquanto que 0,7% disseram que irão votar em branco ou anular os votos. A pesquisa tem uma margem de erro de 3% e está registrada o Tribunal Regional Eleitoral sob o número AC-00063/2014.

A pesquisa Delta/ContilNet constatou, ainda, que 12,42% do eleitorado acreano mostra disposição para mudar o voto. 83,58 dizem que não mudariam de candidato e apenas 4% não sabe ou não respondeu.

domingo, 12 de outubro de 2014

O voto jovem

No último domingo, o domingo do primeiro turno, os acreanos foram às urnas para eleger seu mais novo senador da República: Gladson Cameli (PP), de 36 anos. Sua vitória já era esperada tanto pelos números das pesquisas quanto pela onda popular que sua candidatura ganhou pelas ruas das cidades, sobretudo em Rio Branco.

Ele tornou-se um fenômeno, dizia-se nas rodas de conversa. É o político da moda, caiu nas graças do povão. E é o que foi refletido no resultado final: uma diferença de mais de 82 mil votos sobre sua adversária direta, Perpétua Almeida (PCdoB).

Gladson Cameli é sobrinho do ex-governador Orleir Cameli, o mais demonizado pelos então oposicionistas petistas. O PT exerceu a oposição mais radical de todos os tempos no governo Orleir, operando de todas as formas para impedir a sua governabilidade.

Entre as líderes desta oposição estava a então senadora Marina Silva. Em resumo, Orleir só não foi chamado de santo pelos petistas, mas todo o resto que você possa imaginar disso não foi poupado.

O sobrinho tem como uma de suas missões políticas reparar a história política do ex-governador, morto em 2013 vítima de câncer. Se alguns achavam que o fato do parentesco com Orleir seria prejudicial, a aposta foi errada. Durante a campanha Gladson percebeu que, mesmo com todos os ataques sofridos, a imagem de seu tio é positiva entre os eleitores, em especial no interior.

Mas esta relação familiar não foi o fator preponderante para a vitória acachapante de Gladson sobre Perpétua. Sua eleição faz parte da histórica tradição acreana de optar por políticos jovens. A escolha pela juventude sempre foi um fator na hora do acreano escolher seus representantes.

Foi assim com o primeiro governador eleito do Acre, José Augusto de Araújo, quando derrotou o tradicional José Guiomard dos Santos, um dos líderes do Movimento Autonomista.

Depois vieram as eleições de Flaviano Melo (PMDB) para prefeito de Rio Branco, Edmundo Pinto (PDS) para governador em 1990, e Jorge Viana (PT) prefeito da capital, em 92. A própria eleição da jovem Marina Silva para o Senado, em 1994, também tem esta relação.

Assim como estes jovens eleitos no passado se destacaram na política local, sendo ainda hoje referência, Gladson caminha para trilhar o mesmo caminho. Já provou isso como deputado federal, eleito aos 27 anos. “Diziam que eu ia ser um menino mimado na Câmara, fui determinado a mostrar o que queria”, recorda ele, hoje um campeão na liberação de emendas e indicações.

Não há dúvidas de que ele será um dos melhores senadores que o Acre já elegeu. Ele é obstinado e determinado naquilo que quer. Tem a ambição política de sempre fazer o melhor, não aceita o mais ou menos. E é esta ambição que o trouxe até aqui, e o levará a degraus bem superiores neste começo de trajetória como majoritário.


sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Bagaceira socialista

O Partido Socialista Brasileiro (PSB) no Acre de Marina Silva está numa confusão só. A legenda que enfrenta uma saia-justa desde a decisão, em 2013, de Eduardo Campos de lançar candidatura própria à Presidência da República, e romper com o PT , no Acre nunca fez questão de se afastar um milímetro do petismo. A razão para isso é simples: seus principais líderes ocupam espaços na administração Tião Viana (PT).

Com a trágica morte de Campos os socialistas acreanos ficaram encrencados ao ver a ascensão de Marina, e sua onda que ganhou corpo no Estado, o que lhe rendeu a vitória nas urnas. Como o PSB iria cair de cabeça na campanha da ex-senadora estando coligado com o PT de Dilma Rousseff?

Até aí tudo bem, as duas siglas encontraram o meio-termo por não haver tantos conflitos de interesse. O problema é agora, com a decisão da executiva nacional de migrar para Aécio Neves (PSDB). Assim como no plano nacional, o segundo turno é polarizado entre PT e PSDB. Rivais históricos, tucanos e petistas colocam no centro da artilharia o PSB.

E o abate do PSB foi interno, sem ser preciso tropas do PT e PSDB dispararem um único tiro. Os militantes socialistas de base, que se autodenominam como os que estão debaixo de sol e chuva defendendo o parido, não estão nada satisfeitos com a decisão da direção regional de abraçar a candidatura de Dilma.

“O PT e a Dilma passaram o primeiro turno destruindo a nossa candidata [Marina], inventando absurdos numa luta desigual e agora vou ser obrigado a fazer campanha pra ela? Eu não farei isso, meu candidato é o Aécio, vou seguir a orientação nacional”, diz José James, coordenador sindical do PSB e vice-presidente da CTB, central ligada ao partido.

Segundo James, vários são os filiados do PSB que também adotarão Aécio Neves no Acre por descordarem do apoio a Dilma. Para ele, a direção partidária tomou uma decisão restrita a um pequeno grupo, sem levar em consideração e vontade da grande maioria. Ou seja, a velha política tão criticada por Marina prevaleceu como nunca em sua atual legenda nas bandas do seringal Bagaço.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Os varadouros de Marina no Acre

Após o PSB e a Rede se definirem sobre como vão se comportar neste segundo turno presidencial entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB), a dúvida é quanto ao mesmo proceder das duas legendas no Acre, a terra natal de Marina Silva (PSB). Fundadora do PT no Estado e ainda mantendo fortes laços com alguns companheiros locais, Marina saiu do primeiro turno como uma das principais lideranças do Estado, carregada. Sobretudo, pela “marola” que a fez crescer e depois recuar nas pesquisas para presidente.

No Acre ela obteve 41,99% dos votos válidos. Em seguida veio Aécio Neves (29,08%) e Dilma Rousseff (27,98%). Uma reversão significativa quando comparado com 2010; naquela eleição a ex-senadora ficou em terceiro lugar. Agora é saber como estes eleitores de Marina vão votar para presidente e governador aqui na nossa floresta.

Dizer que a grande maioria de seus eleitores aqui é anti-PT ou contra Dilma seria desleal. Parte deste eleitorado tem simpatia por ela e pelo modelo petista do Acre. Por sinal, fatia expressiva dos cargos comissionados acomodados na gestão Tião Viana (PT) votou e fez campanha para Marina. Mas o grosso da estrutura governista esteve empenhado no palanque de Dilma.

É pouco provável que o PSB acreano siga o mesmo rumo do nacional de apoiar Aécio. Por estas bandas os socialistas estão comprometidos até o pescoço com o PT e seus confortáveis cargos. A Rede é uma incógnita tanto quanto Marina. Com nenhuma força política não elegeu seus dois candidatos a deputado estadual: o Doutor Julinho que disputava pelo PSB e Francineudo Costa, do PV.

Segundo informações, a Rede se reunirá no sábado para decidir o futuro no segundo turno. Com relação às eleições para o governo local, a tendência é de neutralidade, não declarando apoio nem a Tião nem a Márcio Bittar (PSDB). No nacional, a Rede liberou os filiados a escolher Aécio.

Mesmo assim, nos bastidores, alguns integrantes da Rede mostram simpatia pelo palanque tucano de Bittar. Tal sinal é um descontentamento com as operações realizadas pelo PT para eleger sua bancada na Assembleia Legislativa, enfraquecendo as demais candidaturas.

Esta “vingança”, contudo, não é o suficiente para ameaçar a reeleição do petista Viana.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Erro de cálculo

Uma passada esta manhã pela Assembleia Legislativa, na primeira semana após a votação de domingo, mostrou um clima de velório no Parlamento estadual, após a lavada que o povo decidiu fazer nas cadeiras. A renovação de 75% revelou o sentimento de insatisfação do eleitor com a atuação desta legislatura –a pior desde o processo de redemocratização do país. Se esta renovada foi excelente para o cidadão, saiu péssima para Tião Viana (PT) e suas pretensões de reeleição.

A afirmação parece contraditória quando o PT fez cinco deputados estaduais –a maior bancada. A Frente Popular obteve a maioria, com 15 cadeiras, assegurando ao Palácio Rio Branco boa governabilidade. Mas, então, por que o resultado do Legislativo foi péssimo para o Vianismo?

Eleger cinco deputados estaduais trouxe um alto custo para a campanha de reeleição de Tião. Houve um erro de cálculo que fará o partido abrir as torneiras para assegurar a lealdade de importantes apoiadores. O PT tinha como aliado de coligação o PEN (Partido Ecológico Nacional), que chegou a ter a maior bancada com sete deputados, e agora tem cinco.

Destes, três tentavam a reeleição: o presidente da Casa, Élson Santiago, o líder de Tião Viana, Astério Moreira, e o líder do governo nas horas vagas, Jamyl Asfury, tamanha sua bajulação ao Executivo. Todos pleitearam a aliança com o PT, vista como a melhor opção, e esperavam todo apoio do Palácio Rio Branco como retribuição à sua lealdade cega –transformando o Parlamento numa susecretaria petista.

Mas não foi o que aconteceu: o PT acionou a máquina para eleger os seus candidatos, deixando os deputados do PEN despenados; nenhum se reelegeu. A situação é considerada como o maior erro político no Acre já cometido nos últimos anos. O fato é que o PT esperava ter a reeleição de Tião já no domingo, o que liquidava os deputados que eles tinham como alvo, fazendo o governador chegar a 2015 reinando absoluto.

O segundo turno era uma ideia remota para os petistas. Aliás, ela nem se passava pela cabeça. A postura agressiva desagradou até alas dentro do PT. Para alguns grupos, o partido e a estrutura do governo estiveram focados somente na eleição dos apadrinhados da Democracia Radical, (DR), a tendência majoritária da legenda, deixando as demais ao leu –não o de Brito.

O único eleito fora deste grupo é Jonas Lima, da Democracia Socialista (DS). Nos bastidores da Aleac há ainda a informação de que os governistas trabalharam duro pela não reeleição de alguns deputados apontados como indigestos, incluindo Eber Machado (PSDC) e Edvaldo Souza (PSDC).

O desafio do governo vai ser convencer os grupos políticos de todos os deputados abandonados e liquidados da Assembleia a se dedicarem com afinco na ameaçada campanha de reeleição de Tião Viana.

A dúvida é saber quanto isso custará. A máquina do Estado já está inchada de indicados partidários. Oferecer cargos para parlamentares acostumados com o gostinho poder nas mãos, será como oferecer migalhas.

Ou o governador equaciona este problema, ou pode ver a debandada de apoios políticos importantes irem para o lado tucano, como forma de retaliação à operação política mais desastrada dos últimos tempos.

Viana x Bittar

Uma análise fria do que foi o primeiro turno das eleições para o governo do Acre mostra que as chances de vitória do tucano Márcio Bittar sobre o petista Tião Viana são bem maiores –mesmo que a diferença entre ambos seja de menos de 1.000 votos. Isso, óbvio, dependerá do comportamento de cada candidato nos 20 dias de segundo turno. A razão para o favoritismo de Bittar é simples: a votação recebida por Viana no domingo representa o limite do limite do eleitorado pró-governo.  

Sua única possibilidade de crescer é tirar votos da oposição (um fator complicado ante o alto sentimento antigoverno), convencer os votos nulos a apostar no 13 e conquistar aqueles que não foram votar domingo a ir à urna dia 26. Uma verdadeira operação de guerra. 
  
Já Bittar receberia naturalmente os 19% de votos de Tião Bocalom (DEM), o que já garante o empate com o atual governador e seus 49%. A tendência mais lógica –com a imprecisão da ciência política – é que os eleitores de Bocalom migrem para Márcio Bittar (PSDB). Quem optou pelo ex-prefeito de Acrelândia carrega o mesmo sentimento de rejeição ao petismo do eleitor de Bittar. 

A união forçada da oposição nesta nova disputa pode favorecê-la dentro daqueles eleitores que pregam de forma veemente esta unidade para derrotar o PT, mas que se vê descrente com o jogo de egos destes grupos. A insatisfação do eleitor com este racha oposicionista o leva a optar pelo PT por não ver segurança suficiente para entregar o governo a opositores que não conseguem se unir em torno de um projeto. 

Nos últimos 16 anos o acreano passou por uma lavagem cerebral de unidade da Frente Popular que só existe para inglês ver. Esta mesma união é apontada como o sucesso das gestões petistas que tiraram o Acre do buraco deixado “por esta oposição que está aí querendo voltar”.  A Bittar cabe a tarefa de conquistar o eleitorado que vota no PT “porque é o jeito”. 

Se a oposição corrigir os erros do primeiro turno, mostrar unidade e transmitir segurança ao eleitor mais conservador, a possibilidade da vitória tucana é real. Esta engrenagem é a chave para o fim do ciclo do petismo.  

Além do mais, Bittar terá em seu palanque um senador eleito, Gladson Cameli (PP), cuja principal função será distribuir abraços e beijinhos para o eleitor –o que assegurou sua lavada sobre Perpétua Almeida (PCdoB). 

Por seu lado, Tião Viana (PT) terá o peso da máquina para se livrar do pesadelo da derrota. A principal estratégia é desidratar a oposição, apontando os seus erros, os pecados do passado e partindo para o que sabem fazer de melhor: a desconstrução do adversário com os métodos mais sórdidos. (Vide o caso Marina Silva). 

Além disso, o Palácio Rio Branco tende a começar a operação de cooptação dos candidatos a deputado estadual e federal das coligações de Bittar e Bocalom derrotados domingo. O mesmo que aconteceu em 2012 para assegurar a dramática vitória de Marcus Alexandre (PT), quando o poderio da máquina ofereceu mundos e fundos até para candidatos de 30 votos –só para enfraquecer Bocalom. 

As cartas estão na mesa. O jogo será jogado. A cada lado está lançada a sorte de conduzir as melhores articulações.  

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Os números da eleição

Acalmado os ânimos deste primeiro turno e após um breve descanso depois da cobertura de domingo, o momento requer uma análise do que foi o resultado das urnas para o Palácio Rio Branco. A atenção se volta para os maiores colégios eleitorais acreanos. A conclusão é simples: os votos de Rio Branco e Cruzeiro do Sul foram essenciais para assegurar o segundo turno.

Considerando a soma dos demais 20 municípios, Tião Viana (PT) estaria hoje soltando fogos pela reeleição. Ao contrário de 2010, quando o então tucano Tião Bocalom ganhou em colégios importantes, incluindo a capital, Bittar não obteve o primeiro lugar em nenhum. Ao contrário, sempre viu o petista numa distância bastante segura.

Até em Cruzeiro do Sul, reduto de sua vice Antônia Sales (PMDB) e do prefeito Vagner Sales (PMDB), apontado como o mais bem avaliado da Amazônia Ocidental, Oriental e estatal, o tucano ficou atrás. No Juruá, o candidato ainda tinha o apoio de Gladson Cameli (PP), eleito senador com uma ampla margem.

Em Cruzeiro do Sul Tião Viana ficou com 46,92%, contra 37,85% de Bittar. Os números mostram a força do governador no segundo maior eleitorado, capaz de conter até os Sales e os Camelis.

Não se pode negar o empenho destes clãs na candidatura do PSDB, mas é certo que, em primeiro lugar, estavam muito mais voltados para fazer prevalecer seus próprios interesses –o que é natural na política. Cada um tinha suas candidaturas de conveniência, o que pode ter deixado Bittar um pouco morno.

Com o jogo resolvido para eles, talvez agora estejam de corpo e alma junto de Bittar. Em Rio Branco, onde o PT esperava ser carregado nos braços do povo graças a Marcus Alexandre (PT), o eleitor voltou a mostrar sua divisão, exposta sobretudo na eleição de prefeito de 2012.

O resultado na capital foi quase que semelhante ao geral do Estado. Tião Viana (48,55%), Márcio Bittar (30,92%) e Tião Bocalom (19,53%). Somando os votos da oposição, Tião Viana, outra vez mais, sai derrotado em Rio Branco.

Os números mostram que 2014 não têm nada de diferente de 2010. A diferença é a divisão da oposição em duas candidaturas, mas que pode ter sido essencial para influenciar o segundo turno. O desejo de mudança do eleitor é o mesmo.

Em seus quatro anos, Tião Viana não conseguiu amenizar o sentimento anti-PT do acreano e tem sua reeleição seriamente ameaçada. Neste segundo turno, quem errar menos leva o troféu.

Foi por pouco, Márcio



Quem acompanhou a apuração das eleições no Acre durante a noite de domingo (5) percebeu que o resultado das urnas era tão indefinido quanto foi ao longo de três meses de campanha. Até a prorrogação da etapa final, a reeleição de Tião Viana (PT) já era tida como certa. Mas, com o abrir dos 30% das urnas restantes, a maioria da capital, o cenário foi mudando. Como aquela bola que entra no gol tirando tinta da trave, assim a oposição conseguiu amenizar seu sofrimento e provocou o segundo turno –para desespero do Palácio Rio Branco.

As eleições, mais uma vez, mostraram que nenhum instituto acertou as projeções; nem mesmo o tal Delta, tão ovacionado pelos oposicionistas. A surpresa foi o desempenho de Tião Bocalom (DEM). Pelos quatro cantos dizia-se que sua vitória já era certa, ou que pelo menos seria ele, e não Márcio Bittar (PSDB), na nova disputa para o governo.

E aqui neste artigo o tema é, justamente, o tucano. Com Ibope e Vox Populi apontando vantagem de Bocalom, a sobrevivência de Bittar pode ser tida como uma “surpresa”. Mas do ponto de vista político nem tanto assim; o deputado tinha estrutura partidária maior do que o democrata, reunindo em torno de si 10 partidos e as principais lideranças da oposição, além de ampla vantagem no tempo de TV e rádio.

Portanto, sob este aspecto seria mais provável ele ir para o segundo turno. Márcio Bittar também tem muito mais vantagem do que Bocalom quando o assunto é confiança e segurança transmitidas ao eleitor –isso é possível medir no índice de rejeição de ambos. Carrega menos reprovação do eleitor e se mostrou o mais preparado, na oposição, para os debates com Tião Viana.

O tucano poderia ter um desempenho melhor nas urnas não fosse uma propaganda eleitoral de baixa qualidade. Seus quase 10 minutos de exposição, quatro a mais do que o PT, não foram bem aproveitados. O marketing tucano ficou atrelado aos velhos clichês da publicidade eleitoral, sem apresentar renovação. Os programas foram na maioria quadrados e o telespectador já tinha na ponta da língua o roteiro. Conduzidos por marqueteiros importados em cima da hora, mostravam desconhecimento sobre nossa realidade política.

A força de Bittar na TV não foi suficiente para tirá-lo do patamar dos 25% registrados nas pesquisas, o que desmotivava até seus aliados mais próximos. Mas o tucano teve a sorte de absorver parte do sentimento de mudança do acreano, e obteve uma votação até expressiva: 30,10%, ou 116.948 votos.

Márcio Bittar trabalhou duro para construir sua atual aliança. Foi para o embate, enfrentou desgastes (e muitos), porém sobreviveu. Em nenhum outro Estado foi construída uma aliança de oposição desta envergadura. Mas todo este esforço do tucano foi ameaçado por uma propaganda eleitoral que deixou muito a desejar, quase dando a vitória para Tião Viana no primeiro turno. 

Agora o segundo turno não é sorte. O candidato precisará rever seu plano de marketing para um melhor diálogo com o eleitor acreano, um bairrista que até o momento não se viu identificado com a sua campanha. Quem acompanha nossa política sabe que a cara do Acre é essencial para o sucesso nas urnas, e isso a Frente Popular faz muito bem, obrigado.

Como já virou lugar-comum na política, segundo turno é uma nova eleição. Cabe a Márcio Bittar corrigir os erros, correr atrás de Bocalom e seus eleitores e conquistar os insatisfeitos da base governista. Nunca antes na história deste Estado houve uma chance tão clara de o PT ter sua hegemonia ameaçada: e isso funciona como um imã na política partidária.