Páginas

terça-feira, 21 de maio de 2013

Outra vez?


Bolívia promulga lei que permite a Morales concorrer a terceiro mandato

Agência Brasil 

O governo da Bolívia promulgou a lei que permite ao presidente boliviano, Evo Morales, de 53 anos, candidatar-se às eleições para um terceiro mandato. Se ele vencer as eleições, será o presidente que mais tempo governou o país. A iniciativa gerou polêmica, mas os governistas obtiveram a vitória.

A nova lei, aprovada pelo Parlamento, foi promulgada pelo vice-presidente da República, Álvaro García Linera, que está interinamente no poder, enquanto Morales viaja aos Estados Unidos. Para a oposição, a medida é uma violação à Constituição da Bolívia. “O Tribunal Constitucional reafirmou o que estava na Constituição”, disse García Linera.

Ex-líder dos cocaleiros, agricultores que cultivam coca, Morales foi o primeiro presidente eleito de origem indígena e tomou posse – tanto no primeiro mandato quanto no segundo – respeitando as tradições dos “povos originais”. Ele usou trajes típicos e participou de cerimônia religiosa nas ruínas de Tiwanaku, do período pré-inca.

Morales também mudou a agenda interna e externa da Bolívia. É defensor do plantio da coca para o uso tradicional, de acordo com os costumes bolivianos. Ele conta com o apoio dos líderes regionais e atualmente negocia para que a Bolívia integre o Mercosul – bloco formado pelo Brasil, a Argentina, o Uruguai, a Venezuela e p Paraguai, ainda suspenso do bloco.

Em 2008, os eleitores da Bolívia aprovaram, em referendo, a manutenção de Morales, do seu vice-presidente Linera e de alguns governadores em seus cargos. A Corte Nacional Eleitoral da Bolívia confirmou os resultados. O mandato presidencial na Bolívia é cinco anos.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Pressão livre


Governo convida prefeitos tucanos para debater ações, mas solicita solidariedade 

O governo convidou os prefeitos do PSDB do Alto Acre  para debaterem com Tião Viana os problemas e as soluções para suas cidades. Prefeitos da Frente Popular e da oposição compareceram para aquele que seria um encontro cordial entre administradores públicos.

Mas, conforme informações repassadas por participantes do encontro, o ato também serviu como evento para o Palácio Rio Branco ganhar, de forma indireta, a solidariedade dos líderes municipais.

Colocados contra a parede, os gestores foram quase que obrigados a prestar apoio ao governador após as repercussões negativas da operação G7, que prendeu empreiteiros e secretários do governo acusados de fraudes e desvio de verbas públicas.

“Com as prefeituras estando com os cofres quebrados por conta da queda de repasse é até difícil o gestor não se ver obrigado a apoiar o governo”, diz um dos prefeitos que participaram do encontro.

O foco do governo estava principalmente nos prefeitos de oposição, que detém metade das prefeituras. Na semana passada, dois prefeitos tucanos, André Hassem (Epitaciolândia) e Doutor Betinho (Assis Brasil) já tinham dado manchete ao emitirem opinião garantindo total apoio e confiança no governador.

O presidente do PSDB no Acre, Márcio Bittar, diz considerar a postura do governo um “jogo de rasteira”. “Isso é quase que uma tortura aos prefeitos, que se veem na obrigação de emitirem uma opinião para não terem suas administrações ainda mais prejudicadas por conta de retaliações”, afirma o tucano.

No início do ano o governo já tinha se reunido com os 22 prefeitos logos após suas poses. Na ocasião, o Estado já tinha manifestado seu compromisso de trabalhar em prol de todas as prefeituras, deixando de lado as diferenças partidárias.

As vítimas de Evo


Senador boliviano exilado em embaixada vai ao STF

Família de político está refugiada em Brasileia, com outros perseguidos de Evo 

FELIPE LUCHETE
Folha de S Paulo

Prestes a completar um ano asilado na embaixada brasileira em La Paz, o senador boliviano Roger Pinto Molina pediu ao STF que obrigue o Itamaraty a resolver sua situação.

Análise: Brasil não parece disposto a comprar briga com governo Evo

O advogado dele no Brasil, Fernando Tibúrcio, protocolou na última sexta-feira um habeas corpus extraterritorial --classificado no documento como o primeiro caso na Justiça do país.

A parte contrária é a presidente Dilma Rousseff, por ter, segundo o advogado, a competência de manter relações com Estados estrangeiros.

O senador de 53 anos, um dos líderes da oposição ao governo Evo Morales, diz ser alvo de perseguição após denunciar autoridades de seu país por suposto envolvimento com o narcotráfico.

Ele recebeu asilo brasileiro em junho do ano passado, 11 dias depois de pedir, de surpresa, um encontro com o embaixador Marcel Biato.

A Bolívia negou o salvo-conduto para que ele deixe o país, sob a justificativa de que o senador responde a uma série de processos judiciais.

Para Tibúrcio, o governo brasileiro age com "inércia". "O Itamaraty vem levando um verdadeiro drible da chancelaria boliviana", escreveu.

O Ministério das Relações Exteriores, por meio de assessoria de imprensa, disse que não se manifestaria sobre o caso, para não atrapalhar as negociações bilaterais.

PRAZO

O habeas corpus pede um prazo de até seis meses para o governo federal resolver a situação, procurando a OEA (Organização dos Estados Americanos) ou fazendo valer pactos internacionais.

Outra possibilidade é que o STF determine a concessão de um carro diplomático para Pinto deixar o país --solução que poderia ter amparo na Convenção de Viena, que garante a inviolabilidade das representações estrangeiras.

Mas não há consenso no direito internacional se um carro goza dos mesmos direitos de uma embaixada.

Os governos dos dois países anunciaram, em março, uma comissão para resolver a questão. Houve duas reuniões: no dia 1º de abril, em São Paulo, e no início do mês, em Cochabamba. O Itamaraty não informou o que foi discutido nem quem participou.

Pinto vive em um espaço de cerca de 20 m² no primeiro andar da embaixada, longe de funcionários do local.

Só entram no cômodo pessoas autorizadas. Até março, havia uma certa flexibilidade: ele recebia colegas da oposição, amigos e pastores.

Desde então, o Itamaraty limitou o acesso exclusivamente a um advogado, um assistente e familiares.

Os parentes, na verdade, se restringem à filha caçula, Denise, 23, e a uma prima do senador. A mulher, outra filha, dois netos e a sogra se mudaram para o Acre na época em que Pinto entrou na embaixada, dizendo ter medo de ameaças.

Estão em Brasileia (AC), separada por uma ponte da boliviana Cobija.

Em 2012, quando Pinto completava cem dias asilado, Denise disse à Folha que a família esperava estar reunida novamente para o Natal.

Passaram-se outras festividades, sem nenhuma resposta. O aniversário de Pinto, em 23 de abril, foi comemorado ao lado da filha e de um computador com Skype, meio para uma reunião a distância.

O senador também tem acesso a tablet e a uma televisão. Quando está sozinho, lê livros e faz exercícios em uma bicicleta ergométrica.

Sem poder tomar sol, toma medicamentos para repor vitaminas. O ar livre é visto por uma grande janela, com vista para uma praça no centro de La Paz, em uma das principais avenidas da cidade.

Três refeições diárias são servidas pela embaixada. O banheiro foi "emprestado" dos fuzileiros navais que fazem a segurança do prédio.

O Itamaraty informou, pela Lei de Acesso à Informação, que a estadia só custou ao país US$ 463 (cerca de R$ 925), para reparos na sala que Pinto ocupa.

Disse ainda que os móveis da sala foram doados por amigos e familiares e que gastos "com energia e água são pouco significativos".

sábado, 18 de maio de 2013

No caminho certo



A decisão da ministra Maria Thereza de Assis Moura, do Superior do Tribunal de Justiça (STJ), de soltar um dos acusados e manter outros dois na cadeia, mostra que a investigação da Polícia Federal e a relatoria da desembargadora Denise Castelo Bonfim caminham no rumo certo. Caso a alta corte detectasse falhas no processo, certamente todos os 15 presos pela operação G7 já passariam o fim de semana no conforto de suas casas, mas vão ter que esperar um pouco mais.

A decisão liminar da ministra mostra que há evidência de crime, e que as prisões não ocorreram de forma arbitrária, sem o devido respeito às normas legais –como querem mistificar advogados e defensores do Palácio Rio Branco.

Denise Bonfim tem mais de 20 anos de experiência como magistrada na área criminal. Conhece a fundo a legislação, não caindo em armadilhas que viessem a comprometer seu passado de importante contribuição para o Judiciário acreano.

Da mesma forma o trabalho da Polícia Federal está sendo bem feito. As provas foram colhidas e anexadas ao processo. Se elas fossem falhas ou tivessem algum tipo de vicio a ministra Maia Thereza já teria, certamente, dado o primeiro passo para toda a anulação da G7.

O inquérito da polícia deve ser entregue ao Ministério Público Estadual até o meio da próxima semana. E será aí que estará tudo aquilo que pode resultar na condenação ou absolvição dos acusados, além de novos pedidos de prisão –se assim os procuradores acharem necessário.

Leia mais

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Antes e Depois

Eles só pensam naquilo: G-7

                                (08/05/2013)

                             
                               (14/05/2013)


quarta-feira, 15 de maio de 2013

Explicações


Secretário de Fazenda terá que prestar esclarecimentos na PF 

A  Polícia Federal começou a ouvir novas pessoas envolvidas nas possíveis fraudes em licitação do programa Ruas do Povo. Cerca de 22 pessoas deveriam ter sido levadas coercitivamente para a sede da Polícia Federal na última sexta-feira, no mesmo dia da prisão dos 15 acusados.

A desembargadora Denise Bonfim não acatou o pedido da PF, argumentando que os delegados podem chamar esses novos depoentes a qualquer momento. Entre os nomes citados está o do secretário de Fazenda Mâncio Lima Cordeiro.

Veja o restante da lista:

Acrinaldo Pereira Pontes
Jorge Wanderlau tomas
Adriano Sassai
Fabiano Sassai
Joaquim Manoel Mansour Macedo
Teófilo Monteiro Lessa Netto
Marcolino José de Zorzi Rodriguero,
Ronan Zanforlin Barbosa
KeithFontenele Gouveia
Rodrigo Toledo Pontes
César Augusto Gadelha
João Oliveira de Albuquerque
Mario Tadachi Yonekura
Greice Helionay Freitas dos Passos
Raimundo Nonato Soares Damasceno
José Benilson de Carvalho
Expedito Costa Cavalcante
Nasciso Mendes de Assis
Wilmar Ferreira Arantes
Djalma Gadelha dos Santos
João Eduardo Silveira de Albuquerque

Informações de Adailson Oliveira 

Sabia ou não sabia?

Tião Viana é culpado por saber ou por não saber, diz Bittar

O deputado federal e presidente do PSDB/AC, Márcio Bittar, afirma que de forma direta ou indireta o governador Tião Viana é responsável pelas fraudes em licitações e desvios de verbas públicas em obras de infraestrutura do Estado, como revelou a Polícia Federal por meio da operação G7.

“Ele é culpado nos dois casos: por saber e ser conveniente com o esquema ou por não saber e deixar secretários e empreiteiros à vontade para conduzirem o processo”, diz o tucano. Na análise do parlamentar, o governador já está envolvido no caso por eventual participação ou omissão. “O Tião [Viana] já está comprometido”, ressalta ele.

Ele questiona a leniência do governo ao permitir que as empreiteiras continuassem a executar o Ruas do Povo mesmo com as constantes reclamações dos moradores beneficiados quanto à qualidade das obras.

“O Estado continuava a colocar dinheiro público nas contas destas empresas enquanto a população vinha denunciando a péssima qualidade das obras, com o asfalto se decompondo na primeira chuva, além de pagar por ruas que nunca foram asfaltadas,” declara. 

Até o momento não há evidências no inquérito da Polícia Federal se o governador sabia dos esquemas. Interceptações telefônicas, porém, revelam uma estreita relação dele com o empreiteiro João Francisco Salomão, preso pela polícia. Na conversa, há uma espécie de lobby por parte de Tião ealizado junto ao governo de Sergipe para que construtoras do Acre obtivessem financiamento junto ao banco daquele Estado.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Ruas Fantasmas


G-7: planilhas apontam pagamentos para obras em ‘ruas fantasmas’

Polícia Federal descobriu que 23 das 41 ruas a serem pavimentadas em Manoel Urbano não existiam

Adailson Oliveira 

As investigações da Polícia Federal demonstraram que as fraudes no programa Ruas do Povo eram acompanhadas pelo secretário de Obras Wolvenar Camargo e o diretor do Depasa, Gildo César. Nos municípios visitados pelos agentes durante as investigações que culminaram na Operação G-7, foram descobertas diversas irregularidades.

Para desviar os recursos, as planilhas apontavam até ruas que não existiam na cidade, ou para enganar a população, ruas já asfaltadas com verbas do Governo Federal entravam na lista como se fossem do programa estadual.

O caso mais gritante é do município de Manoel Urbano, uma das cidades mais pobres do Estado.  Na lista para pavimentação apareciam 41 ruas. A PF descobriu que 23 delas, simplesmente, não existiam. Outras já tinham sido asfaltadas, mas estavam na relação do Ruas do Povo, mesmo assim, o Estado gastou R$ 3,6 milhões.

Em Tarauacá, o contrato previa o asfaltamento de 31 ruas. Cerca de 90% dos recursos foram pagos à empresa responsável pela obra, um total de quase R$ 6 milhões, mas apenas 30% das ruas foram concluídas.

Em Plácido de Castro, os desvios aconteceram na pavimentação e em outros projetos de infraestrutura do município. Já em Acrelândia, a empresa Construterra Construção Civil LTDA, de propriedade de Carlos Sassai, presidente da Fieac, teve o bloqueio das contas bancárias. A empreiteira venceu a licitação sem o memorial descritivo, é como se participasse da licitação sem saber o custo da obra.

Em Epitaciolândia, em uma das ruas, tinha uma placa do Governo Federal. A pavimentação já tinha sido feita com verbas do programa Calha Norte. Mesmo assim, entrou na lista do Ruas do Povo e foi objeto de concorrência. Em quase todas essas obras aparece sempre a figura de uma subcontratação, o que aumenta ainda mais a participação de outros envolvidos no esquema fraudulento.

Diga não à corrupção


Prazos legais

G-7: Ministério Público pela manutenção das prisões

O Ministério Público Estadual (MPE) se manifestou pela não revogação da prisão de oito dos 15 presos pela Operação G7, desencadeada pela Polícia Federal na última sexta-feira (10). A manutenção das prisões analisadas até o momento foi mantida pelo procurador Oswaldo D’Albuquerque.  Outros sete pedidos estão sob análise da promotora Gilcely Evangelista.

Na manhã desta segunda os delegados da Polícia Federal responsáveis pelo inquérito da G7 se reuniram com a procuradora-geral de Justiça, Patrícia de Amorim Rêgo. Segundo ela, a PF terá 10 dias para enviar o relatório final da investigação. Após este período, o MP terá mais cinco dias para emitir seu parecer, em que pedirá a condenação ou absolvição dos acusados.

Segundo Patrícia, como se trata de uma investigação de mais de dois anos, o MP montará uma força-tarefa para cumprir os prazos legais. Ela afirma que além dos processos na esfera criminal, também pode haver na área cível no caso de constatada a improbidade administrativa. Entre os promotores que analisarão o inquérito estão os que integram o Grupo de Combate ao Crime Organizado.