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segunda-feira, 14 de julho de 2014

Viva Chico


 No início de maio visitei o Parque Nacional da Serra do Divisor, localizado no município de Mâncio Lima (AC). A reserva está localizada bem na fronteira entre o Brasil e o Peru, sendo a Serra do Divisor o ponto de divisão entre os dois países. Detentora de uma das maiores biodiversidades do Planeta, a área também abriga centenas de famílias ribeirinhas.

Na teoria elas não poderiam estar ali por se tratar de um parque, mas como a grande maioria lá já morava antes da transformação da região numa área de proteção, elas permaneceram e aumentaram Sem poder explorar muito as terras, elas vivem à própria sorte e desamparadas pelo poder público.

Mesmo num lugar distante onde o único acesso são horas e até dias de viagem nas embarcações, a pecuária se faz presente em muitas localidades.

A única presença do Estado ali é por meio do Instituto Chico Mendes. Criado na gestão de Marina Silva no Ministério do Meio Ambiente, o órgão é acusado pelos moradores de fazer “terrorismo” para manter a integridade da área.

Neste vídeo, o morador José Maria Rebouças diz que os fiscais fazem abordagens de forma intimidadora e aplicam multas que chegam a até R$ 200 mil. No parque há uma base do Ibama abandonada usada tão somente como abrigo por “poderosos” para tomar cerveja aos feriadões.


Veja o vídeo 

sexta-feira, 11 de julho de 2014

A alquimia de Jorge Viana

Depois de ser escolhido por sabe-se lá quem para ser o coordenador da campanha de Dilma Rousseff no Acre, o senador Jorge Viana (PT), que prefere nunca deixar de ser lembrado como vice-presidente do Senado, deu sua primeira tacada para evitar o vexame de 2010 na disputa presidencial, quando a candidata petista levou um chocolate (igual o 7 a 1 de Brasil e Alemanha) de José Serra (PSDB).

Num gesto considerado audacioso, Jorge Viana afirma que vai trabalhar para atrair os partidos da base de Dilma em Brasília, mas que no Acre fazem oposição ao PT e estarão no palanque de Aécio Neves (PSDB). Entre estes partidos está o PMDB do vice Michel Temer. No Acre é notório que os peemedebistas há 16 anos fazem oposição ao petismo e sempre estiveram em palanques opostos ao do partido no plano nacional.

Apesar desta postura, há a informação de que, na votação para definir os rumos do partido este ano, os convencionais acreanos votaram pelo apoio a Dilma. Outra sigla em encrencas é o PP do candidato ao Senado Gladson Cameli. Oposição no Acre e sempre declarando apoio a Aécio Neves, Cameli se depara com o PP num cabo de guerra para decidir como se comporta em 2014: se com Dilma, Aécio ou neutro.

Ainda nesta lista aparecem PR e PSD. O PR acreano mais parece um templo evangélico, e será difícil os religiosos apoiarem Dilma com os ideais liberalizantes do PT (casamento gay, descriminalização da maconha e aborto). Mas como na política se vê de tudo, milagres acontecem a cada minuto.

O PSD do senador Sérgio Petecão é mais maleável. Porém, por conta da liderança de um senador da República no Acre e com o perfil de sua militância, é difícil ver a militância “pesedista” levantando a bandeira de Dilma ou do PT. Isso não cabe somente ao PSD, mas inclui PP, PMDB e PR.

A militância destas legendas há tempos caminha no campo da oposição e sofre com os ataques frequentes oriundos da Frente Popular, comandada por Jorge Viana. O petista pode até aplacar os ânimos dos dirigentes dos partidos de dupla face (oposição aqui, base lá), mas será difícil levar o conjunto da obra.

O mais provável nesta ocasião é Jorge Viana convencer os presidentes a não se empenharem na campanha de Aécio Neves, fazer um corpo-mole. É para isso que o eleitor precisa estar atento, se de fato o senador petista logrou êxito em sua tentativa e que tipo de acordos foram feitos por cima nos partidos camaleões.  

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Esperteza eleitoral

Se antes os governistas não mediam esforços em criticar o candidato ao Senado Gladson Cameli (PP) por explorar seu bom desempenho na liberação de recursos das chamadas emendas parlamentares aos municípios acreanos, agora a trupe palaciana quer fazer frente ao oposicionista. Desde a semana passada o senador Jorge Viana (PT) vem sendo apresentado como o pai da criança na liberação de R$ 70 milhões para obras de mobilidade urbana de Rio Branco.

Logo ele que semanas atrás criticava Gladson Cameli por, segundo o petista, apossar-se das emendas, quando se tratam de recursos federais. É evidente que o parlamentar não é dono dos recursos, cabe tão somente à canetada da presidente da República liberar ou não a verba.

Mas aqui cabe uma ressalva: Dilma só liberou tais recursos após o vexame de ter cancelado sua visita ao Acre no último dia 29. Para amansar o ego Vianista, recebeu os companheiros acreanos no Palácio do Planalto e, para ficar bem na foto, decidiu nos enviar verbas para estas bandas.

(O cancelamento da agenda de Dilma deixou o governador Tião Viana tão contrariado que ele nem foi para o encontro palaciano)

É inegável o empenho de Cameli em bater à porta dos ministérios em Brasília em busca da liberação de recursos, enquanto os parlamentares da base de Tião Viana (PT) fazem vista grossa à grotesca política da Frente Popular de boicotar as prefeituras administradas por partidos de oposição, deixando a população à revelia.

Como os prefeitos reconhecem, e aqui estão inclusos os da Frente Popular, não fossem as emendas dos parlamentares de oposição, as prefeituras não teriam um real para pintar um meio-fio com cal. E neste empenho Cameli tem sido referência, e esta imagem de boa atuação na liberação de dinheiro para o Acre já colou entre os eleitores.

Percebendo isso, Jorge Viana quer tirar do progressista a boa reputação. Parece difícil a esta altura do campeonato ele tentar reverter o quadro, logo ele que tanto criticou um deputado no exercício de sua função. A sociedade precisa perguntar a Jorge Viana como ele está aplicando os R$ 15 milhões de emendas a que tem direito todos os anos.

Está destinando tudo para o governo do irmão, enquanto os municípios passam pela pior crise dos últimos anos? O senador deveria andar mais pelo interior do Acre e ver que R$ 70 milhões resolveriam muitos problemas nas comunidades, ao invés de se aplicar só em obras para duplicação de ruas que, passadas as eleições, vão ser interrompidas até o próximo pleito.

O eleitor acreano não suporta mais demagogias e sabe quem é quem neste jogo, sabe quem de fato está empenhado com seu mandato para ajudar quem mais necessita. O eleitor fará o sábio julgamento no próximo dia 5 de outubro.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Mineiraço da Adidas

A alemã Adidas é a fornecedora oficial do uniforme da maior torcida do Planeta, a do Flamengo. Dizem que, para ter este feito, a empresa pagou alguns milhões de dólares para o clube carioca e, assim, ter em suas mãos uma grande massa de consumidores da marca Flamengo. Também responsável pelos uniformes da seleção de seu país, a Adidas decidiu homenagear a nação rubro-negra na camisa número dois do time alemão.

O objetivo é um só: atrair a simpatia dos torcedores brasileiros. Os alemães vieram para o Brasil com uma única meta: levantar pela quarta vez a Taça do Mundo, nem que para isso tenham que passar pelos donos da casa. O confronto Brasil e Alemanha não foi na final, mas na semi; portanto só um deles estará domingo no Maracanã (reduto flamenguista) disputando o título.

Segundo alguns jornais, a Alemanha jogará com o uniforme rubro-negro nesta terça. No fim de semana a confederação alemã de futebol divulgou vídeo em que uma das estrelas do time aparece usando a terceira blusa do Flamengo, bem parecida com o uniforme do país europeu –uma coincidência bem à Adidas.


Os alemães sonhavam com um segundo “maracanaço”, mas com a ajuda do marketing da Adidas vão em busca do “mineiraço”. Será que eles terão toda esta força diante de um estádio todo com o Brasil? Será que o uniforme rubro-negro dará sorte a eles? Vamos esperar a partida.   





sábado, 5 de julho de 2014

As diferenças republicanas

Causou surpresa na semana passada a informação de que o governo vai desativar no período eleitoral o seu principal portal de notícias, a Agência de Notícias do Acre. Nunca antes na história deste Estado se viu algo parecido.

Criada no bom governo Binho Marques –um gestor que deixa saudades nos acreanos – a agência tinha como objetivo ser a plataforma do governo para a produção e distribuição de conteúdo jornalístico de suas realizações.

E aqui temos de reconhecer, esta mesma linha foi mantida com Tião Viana –em alguns casos tentaram usá-la para questões partidárias do governador. Mas as críticas recolocaram a agência nos trilhos. Agora o contribuinte acreano que arca com uma estrutura pesada do sistema público de comunicação fica abismado com a decisão de retirar o site no período eleitoral.

Esta decisão só revela uma coisa: a total incompetência dos gestores da Comunicação do governo Tião Viana em separar o público do partidário. Por acaso toda estrutura do governo vai deixar de funcionar no período eleitoral? (Sim, vai!) Todos os servidores públicos estarão a disposição da campanha de Tião Viana?  (Em grande parte sim!)

Será que os gestores estarão tão empenhados na tentativa de permanecer no poder que não terão tempo de cuidar de um simples portal de notícias? O cidadão acreano não terá direito de saber o que o governo está fazendo nos quatro meses de campanha? (Somo quatro com o segundo turno).

Com a imprensa acéfala, o eleitor corre o risco de ficar às cegas neste período de eleição sem saber como o nosso grande arrecadador de impostos está nos trazendo de volta os investimentos. Não haverá a oportunidade do cidadão também fiscalizar as ações dos governantes.

A imprensa acreana não tem condições de realizar este trabalho que é seu dever por ser sufocada pelo governo petista nos últimos 16 anos. Ou seja, o eleitor perdeu sua capacidade da livre expressão, sem a interferência estatal. Com a única fonte de notícias oficialescas do governo fora do ar, aí que tudo tende a piorar.

Tempos sombrios o Acre está vivendo em sua vida republicana...  

segunda-feira, 30 de junho de 2014

A metamorfose petista

De olho nas pesquisas que apontam a mudança como o principal sentimento do eleitor brasileiro, o PT, mesmo com o desgaste de 12 anos de Poder no Brasil e 16 no Acre, tem investido seu marketing nesta onda. Pode parecer estranho, mas pela manutenção do domínio a política gera de tudo. A presidente Dilma Rousseff diz que será a “continuidade da mudança”. Aqui no Acre Tião Viana fala em “mais mudanças”.

Para o PT nacional, o desafio de se apresentar como a mudança e representando o velho será menos traumático do que para os petistas acreanos. O sentimento de mudança do eleitor local foi exposto nas eleições de 2010, quando por muito pouco o médico Tião Viana não embarcou na balsa rumo a Manacapuru.

Ouvindo a voz das roucas, o partido tinha como grande desafio diminuir a rejeição da população à sua longevidade no governo e se reciclar para as eleições municipais. Foi aí que veio o “novo” Marcus Alexandre. Produto bem trabalhado pelo marketing, o engenheiro foi desligado de qualquer imagem relacionada ao petismo.

O vermelho e a estrelinha foram deixados de lado, em seu lugar veio o amarelo. Apresentado como o “novo”, não teve muitas dificuldades de subir nas pesquisas e vencer o velho jeito de fazer política de seu principal adversário, Tião Bocalom, hoje no Democratas.

Marcus Alexandre venceu com a promessa de fazer o novo, mas continuou com as retrógradas práticas da política petista. Primeiro, não abriu mão do fisiologismo para garantir os apoios, transformou a prefeitura num guarda-roupa para pendurar os cabides de emprego. Enquanto o município gasta milhões com o pagamento de aliados, a cidade sofre com o abandono das buraqueiras.

Marcus Alexandre tem muito blá-blá-blá e pouco agir. Seu principal mérito é acordar cedo e tomar café na casa do povo. O PT continua com sua política de viver no mundo da fantasia, não há nada novo; a censura é a mesma, a perseguição a quem ousa contrariá-los só aumenta, e o próprio partido do governador está numa crise de divisão sem precedentes.

Vai ser difícil para o PT acreano falar em “mais mudança” agora em 2014 se as promessas de renovo lá em 2012 ficaram para inglês ver. Não há como negar as mudanças vividas pelo Acre nos últimos 20 anos, mas o PT, a partir de 2012, não deu provas de sua capacidade em promover a mudança a partir da continuidade. Ao contrário, as coisas pioraram: a saúde continua um caos, a economia está pobre, o contracheque reina no mercado, a segurança pública já perdeu a guerra para a bandidagem.

Esta é a mudança? Só se for para pior!

terça-feira, 24 de junho de 2014

Pode, Arnaldo?

Instituto que aponta reeleição de Tião no 1º turno tem contrato de quase R$ 2 milhões 

A imprensa acreana foi obrigada a publicar em seus diários desta terça-feira (24) uma pesquisa de intenção de voto que asseguraria a reeleição do governador Tião Viana (PT) já no dia 5 de outubro, sem a necessidade de um novo confronto com a oposição. A pesquisa é contraposição a uma outra divulgada no sábado (21) pelo site AC24horas, que contratou o Instituto Delta, empresa do Acre.

Nela, a situação é bem diferente, apontando um segundo turno como certo, hoje, na corrida pelo Palácio Rio Branco. Na Delta, Tião Viana tem 41% da preferência do eleitor, contra 22% de seu concorrente direto, o tucano Márcio Bittar
.
Na pesquisa encomendada pelo governo o petista venceria no primeiro turno com 54%, enquanto Bittar ficaria num empate técnico com Tião Bocalom (DEM), 20% contra 18%. O levantamento governista foi realizado pelo Vox Populi, um dos mais conhecidos institutos de pesquisa do país.

Na disputa para o Senado o Instituto Delta aponta empate técnico entre Gladson Cameli (PP) e Perpétua Almeida (PCdoB), enquanto a Vox Populi dá uma vantagem de 11 pontos para a comunista.

Soltar estes dados com o “respaldo” de um instituto nacional, na concepção petista, tiraria qualquer credibilidade do “primo pobre acreano” Delta. Mas se passarmos uma lupa na Vox Populi veremos seus interesses com o governo do Acre, refletindo aquilo que o governo sabe fazer de melhor: manipular as pesquisas em período eleitoral.

A Vox Populi renovou seu contrato de R$ 1,7 milhão com o governo acreano no último dia 6 de março, como mostra o “Diário Oficial”. É de se questionar quem pagou a realização desta pesquisa, se o governo do Acre ou algum partido da Frente Popular. É este questionamento que farão os advogados da Aliança de oposição a Tião Viana.

A credibilidade do Vox Populi no Acre caminha para ser a mesma do Ibope, que nunca acertou uma eleição no Estado. Às vésperas das eleições sempre trabalha para beneficiar as candidaturas do governo e prejudicar a oposição. Por quase R$ 2 milhões não é de esperar outra postura do Vox Populi.

O eleitor acreano precisar ficar atento a estas malandragens oficiais...




segunda-feira, 23 de junho de 2014

PT x Liberdade de Imprensa

Enquanto os brasileiros voltam suas atenções para os gramados da Copa do Mundo, uma outra partida está em jogo no país, e que coloca em risco a nossa democracia: trata-se do clássico PT contra a liberdade de imprensa.

Jornalistas passaram a ser hostilizados pela militância petista (certamente a mando de seus caciques), com os processos judiciais sendo a principal forma de intimidar o livre exercício da profissão no país.

O caso mais recente é a vergonhosa ação movida pelo governador do Acre, Tião Viana (PT), contra a jornalista Vera Magalhães, titular da coluna “Painel”, da “Folha de S Paulo”.  Viana chegou ao absurdo de processar criminalmente a colunista por ela reproduzir a fala da secretária de Justiça de São Paulo, Eloisa Arruda, que afirmou que Tião Viana agia como “coiote” no envio de haitianos para São Paulo sem o prévio aviso.

(Espero também não ser processado por noticiar este fato) 

Tal postura do governador acreano pode causar espanto para os brasileiros de outros Estados, mas para nós acreanos, governados há 16 anos pelo petismo, não nos causa nenhuma surpresa. Já conhecemos bem o modus operandi do PT lidar com a imprensa.

Desde a chegada do hoje senador Jorge Viana (PT) –irmão de Tião – ao governo, em 1999, a censura aos veículos de comunicação tem sido a principal marca da gestão petista.

Por meio do uso de verbas públicas, o partido tira do cidadão acreano a possibilidade de fazer qualquer manifestação contra o caos na saúde ou na segurança, entre outros cerceamentos.

Todos os anos são mais de R$ 14 milhões usados para calar a imprensa, num jogo de perseguição aos veículos e jornalistas que bravamente resistem contra a perseguição petista.
Esta mesma tática antidemocrática passa a ser adotada pelo PT nacional, que se vê às voltas com as sucessivas quedas de popularidade da presidente Dilma Rousseff. Apesar de sempre se posicionar em defesa da liberdade de imprensa, Dilma não consegue controlar o gênio petista de cercear a mídia para abafar seus desmandos e maquiar a realidade do país.

Os brasileiros não podem ficar concentrados somente nos nossos craques da pelota. Enquanto cochilamos, os inimigos da livre democracia operam para implementar a ditadura da esquerda. E nesta batalha a primeira vítima é a imprensa, sendo os processos na Justiça a forma mais intimidadora.  

terça-feira, 27 de maio de 2014

Antônia Sales: a Evita Perón do Acre?

Após muitas idas e vindas, por fim a Aliança de oposição no Acre, maior força política já formada nos últimos 16 anos para enfrentar a hegemonia petista, está com sua chapa majoritária definida. Até quinta (22) oficialmente só havia os nomes dos deputados federais Márcio Bittar (PSDB) e Gladson Cameli (PP). O primeiro concorre ao Palácio Rio Branco, e o segundo ao Senado.

Desde sexta a deputada estadual Antônia Sales (PMDB) foi oficializada a vice de Bittar. Esta “dobradinha”, mais o nome de Cameli, era apontada como a “chapa dos sonhos”. A entrada de Sales e Cameli representa a adesão das principais famílias do Vale do Juruá na campanha do tucano.

Ter Antônia Sales como vice era quase uma “obsessão” por Bittar; nome melhor ele não poderia ter. Após Gladson Cameli e o prefeito de Cruzeiro do Sul, Vagner Sales (PMDB) –esposo de Antônia - ela é hoje uma liderança de peso na região. Em 2010 saiu como a deputada mais bem votada do Estado.

Nascida no Peru, ainda carrega o sotaque da língua-mãe. Uma das marcas de seu mandato é todos os anos percorrer as comunidades ribeirinhas dos cinco municípios do Vale do Juruá. Numa “voadeira” ela sobe e desce rios e igarapés, indo aos lugares mais remotos –onde a assistência do Estado é zero a estes brasileiros.

Seus adversários a acusam de fazer assistencialismo nestas visitas por nunca se recusar a deixar um pacote de arroz ou feijão para quem passa semanas sem este luxo. Eu tive o prazer de acompanha-la em maio a uma destas viagens. Confesso que na visão de um cidadão urbano e sem conhecer a realidade destas pessoas também via esta atitude como “assistencialismo” e “populismo”

Mas vendo a dura vida de famílias inteiras passando necessidade percebi que não se trata de uma “assistência eleitoreira”, mas uma ajuda necessária diante da total ausência das ações do governo nestas comunidades, um gesto de “solidariedade cristã”.

“Na última eleição tive só cinco votos na Serra do Divisor, mas nem por isso deixo de visitar o parque. Não me interessa os votos, mas saber como estas pessoas estão vivendo. Eu votei a favor de um empréstimo que diziam ser para beneficiar o homem da floresta, e quando lá vou vejo o abandono”, comenta.
Os povos da floresta, tão evocados pelo “governo da floresta” foram abandonados no meio do nada.

“O governo do PT quer matar estas pessoas à míngua. O governo não quer ter ninguém morando na floresta para poder entrega-la intacta às ONGs e aos bancos estrangeiros onde todos os anos contrai empréstimos bilionários”, afirma ela. Ouvir tal comentário parece ser mais uma “teoria da conspiração”, mas bem analisada tem muita verdade.

A região é a de maior biodiversidade da fauna e flora do mundo; em meio a toda esta riqueza milhares de acreanos vivem na completa miséria e cercados pelo Instituto Chico Mendes, criado na gestão da ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (PSB).

Para compensar um pouco deste abandono do poder público, a deputada de dupla nacionalidade e que pode ser a vice-governadora do Acre planta uma semente para amenizar o sofrimento deste povo. Na sessão desta terça (27) ela foi chamada pelo seu colega Gilberto Diniz (PTdoB) de a “Evita Perón do Acre”, numa referência à “mãe dos pobres” na Argentina. Ela de fato teria todo este apelo? Sua força política será colocada em teste diante da votação de Márcio Bittar no Juruá em outubro.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Por que o acreano não confia na urna eletrônica?

Enquanto eu aguardava na fila da Casa Lotérica esta manhã (com medo de um assaltante a qualquer medo lá nos fazer uma visita) ouvia um casal na minha frente conversando sobre a política. “Hoje a gente não precisa mais votar, vão lá e votam pela gente”, dizia a moça ao amigo. “As eleições aqui são tudo fraudadas mesmo”, finalizou.

Confesso que tal diálogo me espantou, pois passou a ser rotina eu ouvir cidadãos comuns afirmarem com convicção a mesma coisa. Ali, contando as cédulas do Real tão desvalorizado, cheguei à conclusão de que é lugar-comum na opinião pública acreana de que o nosso sistema eleitoral está sujeito a fraudes.

Tal pensamento é uma ameaça considerável para nosso processo democrático, que ainda tenta se estabilizar após 20 anos de ditadura (e aqui no Acre mais 16 de deformação do Estado Democrático na gestão petista). E é nesta deformação que o cidadão comum perdeu a confiança nas suas instituições.

Eu, particularmente, brigo para não querer acreditar que as urnas eletrônicas são fraudadas para garantir a permanência do PT no poder, mas a cada dia me vejo como minoria neste pensamento.

Para a grande massa, as eleições são, sim, fraudadas; ou seja, a vontade do eleitor não é a que prevalece nas urnas, mas a de um pequeno grupo que controla os Poderes.

A questão é: até que ponto podemos confiar em nosso processo eleitoral? Ele está sujeito a fraudes, violações? De fato a vontade da maioria está sendo respeitada? Hoje temos mais dúvidas do que certezas em torno da segurança do sistema eleitoral, apontado lá no outro Brasil como um dos mais seguros do mundo.

Admito que uma das responsabilidades por esta descrença é pregada por pequenos grupos da oposição, da qual faço parte. Suas consecutivas derrotas nas urnas pela incapacidade de dialogar com o cidadão para apresentar um plano de governo capaz de proporcionar uma alternância de poder segura, os levam a culpar os fracassos a possíveis violações no processo de votação e apuração.

Por muito tempo virou crença popular de que urnas da zona rural no Juruá foram jogadas num rio qualquer da região –outra argumentação da qual nunca engoli. Em meio a tantas dúvidas já bastante enraizadas na população, acredito que a Justiça Eleitoral deveria fazer uma ampla campanha para desmistificar as “teses” de urnas fraudadas.

Não há sensação pior para uma sociedade de que seu principal instrumento de poder está sendo solapado, desrespeitado e manipulado pelos grupos no poder; tal prática representa uma ameaça à estabilidade política do Estado. Há muito o povo acreano já perdeu a confiança nas suas instituições, e deixar de acreditar no poder da urna seria retroagirmos para os tempos escuros do Absolutismo.  

terça-feira, 1 de abril de 2014

Madeira abaixo


Nos últimos 16 anos, nós acreanos fomos obrigados a acreditar que morávamos quase no Paraíso, o Jardim do Éden. Acreditávamos que erámos um país (de primeiro mundo) dentro de um emergente, que os outros Estados da federação em nada serviam de exemplo para nós; muito pelo contrário, eles deveriam imitar nosso exemplo. Foi tanto ufanismo que nem mais andávamos com os pés no chão. 


Uma Suíça amazônica, o Acre não dependia mais do Brasil. Nosso olhar agora era para o Pacífico e para a desprezível costa oeste americana.; quem sabe poderíamos ajudar estas regiões do globo terrestre com nossa potencialidade. Para tanto investimos na construção de uma estrada que nos conectasse aos portos peruanos do Pacífico. 

Alguns bilhões de reais nos levaram até Lima, mas esquecemos de gastar alguns milhões na construção de uma ponte que nos ligasse ao...Brasil. Enquanto olhávamos para a papagueada integração econômica com Peru  e Bolívia, ficamos relapsos na conexão com nosso próprio país. 

Para o governo interessava muito mais a BR-364 sentido Rio Branco/Cruzeiro do Sul do que Porto Velho (RO). Afinal, era por aqui que esta rodovia renderia alguns milhões aos cofres das empreiteiras que poderiam, depois, retribuir os detentores do poder. Gastamos com o quilômetro do asfalto mais caro do mundo; dizem que hoje em alguns trechos ele supera os R$ 5 milhões. 

Um investimento tão alto para ser restringido o tráfego de caminhões pesados, e onde crateras se formam a cada quilômetro superfaturado. Enquanto isso, não nos demos conta da importância em sairmos do isolamento. No verão, o rio Madeira fica a nível crítico, levando caminhões a demorar até 12 horas para fazer a travessia de balsa. 

Em 2014 fomos surpreendidos com a enchente histórica que deixou a BR-364 debaixo d’água. Só então nós, acreanos, nos demos conta da importância que está  “rodoviazinha” de alguns metros de comprimento representa para nós. O fechamento da estrada mostrou toda nossa fragilidade e vulnerabilidade. 

Até os simples ovos de galinha faltaram nos mercados. Saímos de nossa torre de marfim para ver nossa posição frágil no cenário nacional. Que este evento (natural ou provocado pelas usinas) sirva de lição para o Acre sair do seu mundo de fantasia e passar a acreditar que é parte de uma República Federativa, e não uma ilha, “o melhor lugar para se viver” no mundo. 

Que os gestores petistas deixem de arrotar para Rondônia, acusando-os sempre de serem os vilões da pátria, destruidores da floresta, e passem a ampliar o diálogo com Porto Velho. É preciso que os dois Estados parem de ficar um de costa para o outro, mas que juntos possam discutir propostas para que esta catástrofe do isolamento não volte a se repetir.  

sábado, 29 de março de 2014

A tríade da oposição



Não há dúvidas de que estes três homens acima definirão o rumo da oposição acreana em 2014. A vitória ou derrota do PT dependerá diretamente deles. Neste momento o desafio deles é grande, a depender dos números das pesquisas internas, que ainda apontam uma certa posição confortável de Tião Viana (PT). Mas nada está definido. As últimas eleições mostraram que não há favoritismo no Acre, isso tanto para o governo quanto para a oposição.

Em 2010 Tião Viana era o candidato que daria um chocolate em Tião Bocalom (então PSDB); perdeu em Rio Branco e por muito pouco não foi para Manacapuru. Dois anos depois Bocalom dizia que daria “uma surra de votos” em Marcus Alexandre (PT); perdeu. Portanto, o governo precisa acabar com o discurso de que terá reeleição fácil e no primeiro turno.

O adversário não será mais Bocalom, que conduzia campanhas amadoras e sem debater com a sociedade um plano de governo capaz de provocar uma alternância segura –por isso o eleitor tem preferido manter o PT no poder. O evento de quinta mostrou que a oposição vem com uma “nova roupagem”; o amadorismo parece ter sido colocado de lado, com o profissionalismo sendo uma obsessão.

A solenidade em nada deixou a desejar aos grandes eventos eleitorais Brasil adentro. E mais importante: mostrou a afinidade entre os principais líderes. Tião terá como grande adversário no Juruá o prefeito de Cruzeiro do Sul, Vagner Sales (PMDB). No discurso ele deixou bem claro que sua meta é trabalhar a cada segundo do período de campanha “para tirar o PT do poder”.

O mesmo empenho foi demonstrado por Sérgio Petecão (PSD), por mais que alguns digam que o senador não estará tão empenhado assim por Márcio Bittar (PSDB). Já o tucano coloca de lado aquele discurso ranzinzo de disputas passadas para criticar o petismo em seus pontos fracos, e falar como candidato apresentando suas metas e projetos caso ocupe o Palácio Rio Branco em 2015.

Se este é o tom que o eleitor esperava encontrar para retirar o Vianismo do governo não sabemos, mas ele pode fazer a diferença. Sem muito trabalho, Gladson Cameli (PT) disputa o Senado na mesma linha, evita críticas desnecessárias e foca passar a mensagem de “esperança” e “mudança”, de olho sobretudo no eleitorado jovem.

Com Bittar e  Cameli assumindo a linha de frente da disputa majoritária, e Vagner Sales e Petecão operando nos bastidores, a oposição entra numa campanha com perspectiva de vitória como jamais teve nos últimos 16 anos, isso sem contar a ampla estrutura partidária que o “blocão” lhes garante para ter bastante tempo de TV e financiadores.

Generosos 
Do líder do PSDB na Câmara, Antônio Imbassahy (BA), em discurso na noite de quinta: “Os acreanos estão sendo bonzinhos demais com o PT os deixando 16 anos no governo. Enfim isso agora vai acabar em 2014, com o povo os mandando para bem longe.”

Prestígio 
A presença maciça de lideranças nacionais da Câmara do PP e do PSDB mostra o prestígio de Márcio Bittar (PSDB) e Gladson Cameli (PP) no Congresso. A participação de deputados de São Paulo, Pernambuco e Roraima foi uma forma de mostrar ao eleitor a força do “blocão” em Brasília e um claro sinal das condições de governabilidade caso cheguem ao governo.


Interesses palacianos 
Não há dúvidas de que hoje a candidatura de Tião Bocalom (DEM) interessa única e exclusivamente ao Palácio Rio Branco. Líderes do blocão questionam até que ponto a Frente Popular não interferiu para permitir a permanência do PV no grupo de Bocalom para a sua candidatura não ficar inviabilizada. A estratégia do “blocão” é desgastar ao máximo a candidatura de Bocalom, apresentando-a como a “serviço do governo”.


Cuidado, camaradas 
Petistas estão reclamando dos camaradas do PCdoB de que os órgãos chefiados por eles estão com a estrutura voltada para beneficiar exclusivamente os candidatos do partido. Esta queixa pode ser tida como o primeiro sinal do cabo de guerra entre PT e PCdoB nas eleições. O governador Tião Viana precisa tomar as rédeas da situação para evitar danos maiores.


Escassez 
O governo faz propaganda de que não vai faltar combustível, mas nada disso tira da população o receio de ficar sem gasolina. As filas nos postos permanecem do mesmo tamanho, com motoristas tendo que passar a madrugada em busca de alguns litros. Ao governo a melhor solução seria parar de falar “asneiras” para não deixar o povo mais irritado.

Gastos oficiais 
É provável que a Força Aérea esteja gastando mais dinheiro com o transporte de autoridades para sobrevoar o rio Madeira do que no transporte de alimentos para o Acre. Posar para a fotografia não adianta, é preciso debater em Brasília soluções para a BR-364, para não ficar mais uma vez submersa pelas águas do alterado rio Madeira.

Zelo
Correta a atitude do promotor Adenilson de Souza em pedir o cancelamento da compra de 5.000 bicicletas elétricas pela Secretaria de Educação. O processo licitatório aponta falhas, como o fato de somente a Engeplan chegar à fase final, e a falta de um estudo técnico prévio para avaliar a viabilidade do uso destes equipamentos na zona rural. O bem público precisa ser preservado, para isso é necessária a atuação firme da promotoria de Defesa do Patrimônio Público.